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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Neuróbica

O post de hoje é um pequeno incentivo a você, caro leitor, e a mim mesma. Estou iniciando a leitura de um livro, e parece que vai ser bastante agradável colocar em prática as atividades nele propostas. O livro chama-se "Mantenha o seu cérebro vivo". Promissor, não?
Aqui na contra capa pode-se ler "Você tem mais de 30 anos? Anda esquecido? Tem dificuldade para aprender coisas novas?" Bom, acho que nenhuma dessas questões se enquadra ao meu caso. É mais uma questão de curiosidade. Será que posso potencializar a capacidade de memorização e adquirir uma agilidade mental maior? Bom, é isso que pretendo descobrir ao ler este livro.
Dando mais amostras do que esta peça contém, no primeiro capítulo os autores tentam romper com nossas crenças populares: no cérebro humano novas células cerebrais são geradas e, mais impressionante, o declínio mental que a maioria das pessoas experimenta não é decorrente da morte constante de células nervosas, mas uma redução do número e complexidade das dendrites.
Como se sabe, as dendrites são ramificações das células nervosas que recebem informações através das sinapses, que são a grosso modo, conexões. Se essas conexões não estão bem ligadas, as dendrites podem se atrofiar, reduzindo a capacidade cerebral de incluir novas informações na memória e dificultando a recuperação de informações antigas. Assim, num indivíduo com a doença de Alzheimerm, em verdade, há ausência de um processo que seria comum nos demais: o desenvolvimento de dendrites mais longas no hipocampo humano em cujos nerurônios se encontrem envelhecendo¹.
Consegui convencer você a lê-lo? Bom... o meu agora vai comigo pra cima e pra baixo, rs.
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¹ KATZ, Lawrence C. e RUBIN, Manning. Mantenha o seu cérebro vivo, 2000.

sábado, 26 de abril de 2008

Um Litro de Lágrimas

O post de hoje toca em vários assuntos.



O vídeo é do J-drama (Japanese Drama) intitulado Ichi rittoru no namida, fielmente: Um litro de lágrimas. E conta a história de Aya, uma menina que no auge de seus 15 anos, descobre ser portadora de uma doença incurável: degeneração espinocerebelar.
A doença em si traz uma série de inconvenientes. Por ser derivada de mutação genética, e portanto, passível de transmissão apenas pela hereditariedade, não causa risco a terceiros, mas é uma doença bastante triste. A pessoa aos poucos vai perdendo a coordenação, deixa de conseguir andar, escrever, falar e terá dificuldade até para engolir os alimentos. É progressiva, embora o avanço varie de pessoa para pessoa. No caso de Aya, os médicos disseram que a evolução estava acontecendo rápido demais.
Para mais informações, acesse: Degenerações espinocerebelares
Aya passa, obviamente por muitas dificuldades. Basquetista, tem de deixar o clube por não conseguir mais correr ou mesmo ter força pra lançar a bola; não consegue medir a distância dos objetos, enfim. Começa a perder o movimento das pernas, tendo de usar cadeira de rodas, o que faz que seus pais tenham que levá-la à escola, mesmo eles tendo de trabalhar logo cedo; atrasa o andamento das aulas, involuntariamente, claro, porque não consegue escrever no ritmo que o professor passa a matéria, fazendo com que os amigos esperem em respeito à sua condição.
Mas aos poucos, os colegas de classe começam a se sentir prejudicados, os pais, nas reuniões, também reclamam da situação, toda aquela coisa de falar mal pelas costas vai acontecendo.
Aqui, no vídeo, Aya chega bem no momento em que os colegas estão discutindo isso.
A questão é que Aya insistiu muito em continuar no colégio, ainda que os pais achassem melhor mudá-la para uma escola especial. Dizia Aya que, na presença diária de seus amigos, ela era capaz de sorrir, apesar da doença.
E no final das contas, Asou Haruto, que faz o discurso no vídeo, foi quem esteve com ela o tempo todo. Nunca reclamou de nada, e sempre aparentou frio, grosseiro (ele dizia que a morte era uma questão de balanço, equilíbrio: uns morrem para outros nascerem; dizia também que pouco importava se uma pessoa estava doente ou ia morrer, que as pessoas se esforçavam demais para continuar vivendo). No fim, ele foi o verdadeiro amigo de Aya. Isso faz pensar em uma série de questões. No meu caso, evidencia o fato de que amigos são importantes, sem dúvida, mas mais importante é a família, que não abandona a pessoa quando ela mais precisa.
E no vídeo acho que fica bem claro mesmo não a falsidade em si das pessoas, mas o egoísmo.
Vale lembrar que o J-Drama em questão foi baseado em uma história real, mais especificamente nos diários de Aya Kito (sim, o mesmo nome da menina na novela), que veio a falecer aos 25 anos.
A frase mais bela do drama, mais pro final da série, é quando Aya diz a Haruo, minutos antes de morrer: "Viva! Viva sempre!"

quarta-feira, 16 de abril de 2008

A Dança do Universo

O livro A dança do Universo, de Marcelo Gleiser compreende um compactado mas bom agrupamento de aspectos biográficos de alguns cientistas, lato sensu. De uma forma geral, posso dizer que o livro aborda a história da física, partindo das crenças mitológicas até os dias de hoje.
Além da linguagem acessível, a leitura é cativante e quase nada cansativa. Altamente recomendada para qualquer pessoa que se interesse ou não pelo assunto. Se você não conseguir ler até o fim, recomendo ao menos as pequenas passagens em que o físico conta um pouco de cada personalidade científica. É só olhar o índice remissivo.
Acredito que, embora o livro apresente algumas falhas conceituais* (do meu humilde ponto de vista - não sou estudante de física), o objetivo de quebrar aquele famoso esteriótipo de "cientista é um ser frio ou ateu" é perfeitamente alcançado.
Pense bem num assunto que, para você, traduza uma situação de pólos completamente distintos, o preto e o branco do mundo: pensou? Uma pequena sugestão: Ciência x Religião.Pois é. No livro acho que aos poucos, essa diferença vai enfraquecendo. Eu mesma sempre fui da opinião de que uma não necessariamente exclui a outra. Cada uma tem um campo próprio para sua atuação, e alguns pontos que se tocam e são comuns. E por que não interpretar como respostas diferentes para uma mesma pergunta? Cada uma com sua fundamentação.
Veja por um lado. Se até mesmo a ciência admite teorias completamente opostas para explicar a luz, a teoria corpuscular e a teoria ondulatória, por que não a Religião apresentar a sua teoria baseado na fé? O que não admito é que uma subjugue a outra. Deve haver uma harmonia entre duas criações absolutamente humanas. Não podemos nos esquecer que, tanto a religião quanto a ciência são resultados de uma mesma capacidade: a mente do homem. E tanto em uma como na outra, é necessário a crença. Na religião nem precisa entrar muito a fundo. Todo mundo já ouviu falar em "fé". Mas na ciência, muitos conceitos, muitas teorias, são baseados em crenças. São as chamadas hipóteses. Ainda que se trabalhe com axiomas e postulados só por estes a ciência não pode evoluir. E acho que isso fica bem claro no livro. A teimosia e a paixão pelo entendimento levaram a incríveis descobertas que culminaram em verdadeiras revoluções científicas.
É por isso, que deixo a vocês frases** do cientista mais conhecido de todos os tempos, o que demonstra facetas bem-humoradas, de um cientista que, antes de tudo, também foi alguém assim: de carne, osso e sentimentos.

1) Só duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana, e só tenho dúvidas quanto ao universo. Albert Einstein

2) Senso comum é uma coleção de preconceitos adquiridos aos 18 anos. Albert Einstein

3) Você realmente não entende algo se não consegue explicá-lo para sua . Albert Einstein

*M.G. utiliza insistentemente o termo "força centrífuga" para situações como a de pessoas dentro de um carro numa curva acentuada em alta velocidade. Eu sempre aprendi que nessas situações não havia uma força centrífuga, que escapa radialmente, já que escapa, nessa situação, tangencialmente. Veja, é uma questão terminológica.
** A frase n. 2 pode ser encontrada no próprio livro A dança do Universo, já as outras duas não conheço nenhuma fonte para citar.

P.S.: Pra galera que quiser saber a respeito de outras opiniões sobre o livro, recomendo os seguintes links: Como distorcer a Física e Coisa de Gorgo. São opiniões distintas. Mas pra chegar à sua própria conclusão, só lendo o livro!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Os Nomes dos Seres Vivos - Curiosidades

Afiado ainda nos estudos de biologia do ensino médio? Lembrado das aulas de classificação dos seres vivos, dos critérios de nomenclatura, da nomenclatura binomial dos seres vivos, da sistemática e da taxonomia?
Eu não. De verdade. Mas o estudo científico também pode ser divertido.
Quem nunca ouviu falar em Canis lupus? Tyrannosaurus rex?
Pois é, pode parecer bastante arbitrário nomear os seres vivos. Mas há toda uma série de normas que deve ser seguida. A maioria já deve conhecer, e eu, de cabeça, não me recordo de todas. Mas basicamente, seria:
1) O primeiro nome deve fornecer o gênero, sempre com letra maiúscula, e o segundo, todo em minúsculo, a espécie.
2) Ambos devem ser grafados em itálico ou sublinhados.
3) O nome deve ser em regra em latim (há nomes em grego antigo também), ou seja, língua morta, impassível de mudanças na semântica, atribuindo-se, consequentemente, caráter universal.
4) A unidade básica é a espécie, mas pode haver também uma terceira palavra, designando a subespécie
5) Como para espécies novas o nome pode ser batizado pelo seu nomeador, vindo do nome de pessoa, o segundo termo deve terminar com "i", mas pode indicar região de origem, etc.
Ok, eu disse que poderia ser divertido.
Há quatro instituições que cuidam dessa "patenteação" de nomes científicos: O Comitê Internacional de Taxonomia dos Vírus (International Committee on Taxonomy of VirusesICTV); A Associação Internacional de Taxonomia Botânica (International Association for Plant TaxonomyIAPT); O Comitê Internacional de Sistemática dos Procariotas (International Committee on Systematics of ProkaryotesICSP); E a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica (International Commission on Zoological NomenclatureICZN), ficando os fungos por conta do IAPT.
Geralmente, e de muito bom-senso, dá-se o nome em homenagem a celebridades científicas. Exemplo super conhecido é o do Trypanosoma cruzi (em homenagem a Oswaldo Cruz). Mas há aqueles que preferem celebridades artísticas. É tudo uma questão de gosto. Nessa dança, já entrou o nome de Harrison Ford para uma espécie de aranha (Calponia harrisonfordi), e de uma de formiga (Peidole harrisonfordi).
E não poderiam faltar os engraçadinhos: nome de um ácaro - Trombicula fujigmo, acrônimo de “fuck you Jack, I got my orders”.

De qualquer forma, há sempre uma pequena curiosidade por trás de tudo o que estudamos. Estudar pode ser cansativo. Mas, dispondo de um pouco de curiosidade e tempo, o maçante se torna interessante e estimulante.

Texto baseado nos escritos de Andrei Winograd - Já pensou nisso?