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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Verso

Postando porque gostei da quadra. Simples assim.

"O Dedo Movente escreve; e, tendo escrito
Avança: nem todas as tuas Preces ou Sabedoria
Podem fazê-lo cancelar meio Verso
Nem tuas lágrimas apagarão uma só palavra".

Rubaiyat - Omar Khayyam

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Motivacional, ou tipo isso

"Se correndo com os que iam a pé te cansaram, como contenderás com os que vão a cavalos? E se em terras de paz não estavas seguro, como farás na floresta do Jordão?" (Jeremias 12:5)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Do que eu falo quando eu falo de corrida

Livro de memórias do romancista Haruki Murakami (1Q84), Do que eu falo quando eu falo de corrida, conta como ele se tornou escritor e porque começou a correr. Ao longo da jornada que traçou para si, foi inevitável relacionar a corrida com a escrita: "A maior parte do que sei sobre escrever ficção aprendi correndo todos os dias". Em resumo, eu poderia dizer que a persistência de quem corre deve ser a mesma de quem deseja escrever um romance. Para mim, a essência do que o autor quer passar com seu relato encontra-se na seguinte frase, já ao final do livro: "Para conseguir captar alguma coisa de valor, às vezes você tem de realizar atos aparentemente ineficientes". Como corredora (não uma corredora séria, dentro dos critérios de Murakami, mas que vai um pouco além de apenas correr "de brincadeira"), consigo entender as comparações. Infelizmente isso não necessariamente me torna uma boa escritora em potencial, mas, como eu mesma destaquei com a frase, devo ainda acrescentar o óbvio: escrever e correr são dois desses atos aparentemente ineficientes. Se os frutos dessa persistência serão bons ou não na verdade não importa muito. O que importa é quem você se torna no curso da maior corrida que tem de enfrentar: a vida. 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

150km

E de repente a pessoa fica com vergonha porque estabeleceu a meta de correr 150km ao longo de um ano, e descobre que outros correm isso em 14 dias. - meu pensamento, ao ler Do que eu falo quando eu falo de corrida (Haruki Murakami).
Tudo bem, Murakami, eu não me considero nem escritora e nem corredora. Mas uma grande fã sua, de todo modo. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Pequena Abelha

Era nosso aniversário de dois anos de namoro. Já tínhamos jantado e até recusado a sobremesa porque estávamos satisfeitos e esperávamos a conta. E então eu tive a brilhante ideia de contar sobre o livro "Pequena Abelha", de Chris Cleave, para meu namorado. Contei a história toda. Não toda detalhada, claro. Afinal, ainda que não tenham trazido a conta em questão de segundos, nunca há muito tempo para uma grande narração nesse intervalo. Mas contei sobre o assunto, o clímax e o final (sim, porque eu sei que ele nunca vai ler o livro mesmo). Prometo não contar o final aqui, entretanto. Porque espero, com sinceridade, que você o leia.

A história é sobre refugiados. Pequena Abelha é o nome de nossa protagonista. Não é seu nome verdadeiro, é um nome que criou para se proteger, para viver, não num anonimato, mas em meio à esperança de continuar viva. A trama, é claro, gira em torno especificamente de Pequena Abelha, uma nigeriana que foge de seu país rumo à Inglaterra, mas é detida por 2 anos assim que lá chega. 
Temos outra narradora no livro, Sarah, cuja história se cruza com à de Pequena Abelha num passado nunca por ambas esquecido. Talvez você ache melhor classificá-la como coprotagonista, ao lado de "Abelhinha", como também gostava de ser chamada. Mas, pessoalmente (e sou eu que lhes escrevo, de modo que posso escrever o que bem entender - muaha-ha-ha :P) eu não a consideraria assim, apesar de o livro todo revezar os relatos, ora de Abelhinha, ora de Sarah. É só porque, como disse inicialmente, a história é sobre refugiados (é como eu vi o livro, ao menos). A história de Abelhinha é uma entre outras tantas. É fictícia, mas é a personificação de muitas histórias verdadeiras, não tenho dúvidas. O próprio autor ao fim do livro diz que, embora o centro de detenção onde Pequena Abelha ficou por 2 anos não exista, ele é baseado em relatos de refugiados que realmente estiveram em centros como aquele. 
Eu não quero contar-lhes muito a respeito do livro. Achei ele simplesmente genial. Eu peguei-o para ler, confesso, sem esperar muita coisa dele, ainda mais porque é daqueles livros que enche de declarações de um tanto de críticos na contracapa e ainda não quer revelar nem sobre o que a história trata. E, cá entre nós, perdão pela vulgaridade, mas geralmente quando fazem isso, o produto é uma merda. Mas, se já faço muito em revelar sobre o que o livro irá trazer, não me atrevo a contar nada mais. Se ele quer se anunciar como o faz, cheio de mistérios, só acredite em mim: ele o faz por merecer! Ele pode!
Só tem mais uma coisinha que queria dividir aqui a respeito do livro. Em geral, ele é genial por uma série de motivos, a história é fascinante, os personagens vão criar reações em vocês, mas, tem um QUÊ a mais em tudo isso, que costuma ser MUITO importante para mim: ele é cheio de frases de efeito. Frases de efeito geniais. Quando eu pensava que tinha lido a melhor delas, logo me aparecia outra. Acho que não consegui eleger uma favorita. Mas se vocês conseguirem, por favor, compartilhem ela aqui comigo! 
Boa leitura.

sexta-feira, 28 de março de 2014

O Garoto no Convés

Esse é provavelmente um livro tão bom que dispensa entrar em detalhes e cometer o erro de soltar um spoiler. O livro conta uma versão ficcional, por John Boyne, de uma história verdadeira sobre o motim no Bounty - fragata do Rei Jorge da Inglaterra, sob o comando do Capitão Bligh. O protagonista, o jovem John Jacob Turnstile,  conquista logo a simpatia do leitor, mesmo no começo da aventura ser dado a uma vida de furto.
E é um furto que leva Turnstile a embarcar no Bounty. Como forma alternativa de cumprir a pena de encarceramento por 12 meses, o fidalgo francês, Matthieu Zéla, vítima do furto, propõe ao juiz que o jovem substitua ao criado do capitão do Bounty numa missão ao Otaheite (Taiti). Dessa aventura, com certeza o mestre Turnstile aprenderá muitas coisas para a vida, e a sua ida à ilha será crucial para mudar seu destino. 

Ao ler o livro, me afeiçoei por muitos personagens, me irritei com outros tantos, tudo na medida, creio, que Boyne quis passar. A história é grandiosa, emocionante, e, não sei se por não ter estado muito bem de saúde nos últimos dias de leitura, sinto até que sofri as dores dos personagens. Recomendo o livro, sem restrições. É uma história sobre lealdade, sonho, superação, e, oras, sobre a vida. Talvez, não como gostaríamos que ela fosse, mas, ainda que de certa forma ficcional, como ela realmente é. 

terça-feira, 18 de março de 2014

Um dia

Alerta, spoiler!
O que me levou a ler "Um dia", de David Nicholls foi, sem dúvida, a capa do livro. Mais honesto seria dizer, o que eu LI na capa do livro. Nada mais, nada menos que um breve comentário do Nick Hornby. "O QUÊ??? O NICK LEU O LIVRO? TAMBÉM QUERO!", pensei comigo. O comentário dele? "Cativante, inteligente, espirituoso". 
Olha, eu concordo com ele. O livro cativa porque, como os romances em geral, queremos saber a história. Emma Morley é um tanto teimosa, mas ainda assim é uma protagonista da qual gostamos facilmente. Foi ficando mais chatinha com o passar dos anos, sem dúvida. Mas eu atribuo isso à sua própria teimosia. E por todas as coisas bacanas que Dexter poderia ter feito, mas não fez. Simplesmente porque estava bêbado demais e, sóbrio, não achava que a ideia era tão bacana assim. Uma pena. 
É inteligente por dois motivos: sua estrutura e a personalidade de Emma. A estrutura é feita com as histórias paralelas de Em e Dex a cada 1 ano, todo dia 15 de julho, dia de São Swithin - que, segundo Dex, se chover nesse dia, choverá por 40 dias assim. Achei uma metáfora encantadora. Emma e Dexter vivem 20 anos nem chovendo e nem molhando, e não apenas 40 dias. É como se eles tivessem parado no tempo, no primeiro encontro e permanecido no mesmo estado por todos esses anos. Não que cada um não tenha evoluído (ou decaído) nesse meio-tempo, mas, em relação ao sentimento entre os dois, há uma paralisia que incomoda nós leitores. TODO mundo sabe que Emma e Dexter se gostavam e que deveriam ficar juntos. E por que isso não acontece em tantos anos? Bom... já disse lá atrás. Teimosia e bebida demais (leia-se imaturidade).  Quanto à personalidade de Emma, ela é erudita e naturalmente engraçada. Mas boa parte da graça advém do fato de lhe faltar autoconfiança, e, aos poucos, esse lado engraçado pode cansar. Mas, como a própria sorte dela irá mostrar, Emma é uma literata. Ponto para David Nicholls que acertou na dose!
Espirituoso? Ah sim. Creio que até demais. Eu preciso dizer que, num todo, não gostei da história. Por ser espirituosa demais. Não que eu quisesse um romance água-com-açúcar (eu nem gosto muito de livros assim - leves demais), mas para mim não havia mais história depois de Emma. Eu sei que a vida segue, e é isso que talvez Nicholls quis mostrar. Mas Emma era o brilho nas entrelinhas, e meio que perdeu um pouco o sentido ler o livro só para ver o que o Dex resolvia fazer da vida. 
Não é um livro que eu não recomendaria, no entanto. Mas, no final das contas, a verdade é que a gente conhece muitas pessoas iguais a Emma e Dex, e olha para trás, vê que elas não se acertaram, que perderam muito tempo, que poderiam ter sido mais felizes. 
Para mim, é sobre isso a história: sobre o desperdício do amor - tecla que Carlos Drummond tanto batia. E, ai, como isso me cansa. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Placeholder

I found out that even Douglas Adams used to use placeholders (and before he "taught"me that, I haven't got a clue there was a name for it). Well, I feel much better now.
But like he criticizes, most of the times I keep my placeholders, because I can't find any better word/expression/phrase. 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Universo

Gostei de como hoje posamos para uma foto imaginária, que nunca mais vai existir - no sentido mais Heráclito possível - e que, de fato, nunca existiu. 
Adoraria ter tido a oportunidade de ver seu sorriso, mesmo sem poder olhar seu rosto naquele exato momento.
É para isso que servem as fotografias? Permitir às pessoas uma segunda chance de olhar? Uma nova perspectiva? Talvez. Mais do que simples recordações estampadas, elas denunciam. Eu tenho certeza que você estava feliz por estar ao meu lado. Mas uma coisa é saber, outra - ainda melhor -, é ver. Tomé também não era nenhum ignorante, afinal de contas. De todo modo, só o fato daquela objetiva estar voltada para nós dois, querendo retrair o tempo para sempre um pouco mais, já é motivo suficiente para que um incrédulo captasse o que um não podia ver no outro, mas que um terceiro qualquer podia ver de fora.
O universo tem formas das mais variadas de apontar suas escolhas. Não sei ao certo se tem um dedo de Eros nesse enredo, mas uma câmera instantânea sem foto só me dá uma sensação: não precisamos de imagem que ateste nosso amor. Nada contra as fotos, é claro. 

domingo, 24 de novembro de 2013

Cabelos curtos

Não resisti e estou postando o artigo na íntegra. 
Por Everton Maciel
Antes de Nero incendiar Roma, ele teria ordenado:
“Preservais nossos monumentos sagrados. Não ateais fogo nos templos de Júpiter, Apolo e Marte. Manteis intactas, para serem veneradas pela eternidade, todas as mulheres de cabelo curto”.

Não existe alguém totalmente louco. Nem Nero. Todo mundo que é louco não passa de “meio louco”. Explico: metade do tempo o indivíduo está louco e a outra metade está se aproveitando da sua condição de louco. Mesmo Nero, no ápice da sua sandice, sabia o que devia respeitar. Mulheres de cabelos curtos exigem sobriedade, inclusive dos loucos.
Uma mulher de cabelo curto é o seguinte: ela tem uma informação para te dar; e ela não pergunta se você quer ser informado. Mulher de cabelo curto, simplesmente, informa. O resto que se dane. Mulher de cabelo curto diz o seguinte: eu tenho minha autoestima no lugar e não preciso de nada que venha de você.
A mulher de cabelo comprido precisa de algum artefato histórico para se manter próxima da sua feminilidade. Algo como um tipo de identidade socialmente especial. Parece um advogado que conheci no século passado. Quando era parado por uma blitz de trânsito o cara apresentava a carteirinha da OAB, no lugar da CNH. Mulher de cabelo curto não precisa de atestado protocolado em cartório para ser mulher. Ela não precisa daquela sensação pré-civilizatória de ser puxada pelos cabelos por um hominídeo com tacape na mão.
Toda velha sensata se torna uma mulher de cabelo curto. Toda velha biruta mantém as crinas compridas, enormes, atrasando o processo darwinista de evolução da espécie.
Quanto mais velho melhor. A comparação entre a idade das pessoas e dos vinhos é parcialmente verídica. Como qualquer coisa parcialmente verdadeira também é parcialmente falsa, sugiro que possamos aprimorar a endoxa. Mulheres são como os vinhos. As boas, quanto mais velhas, melhores. As ruins, com o tempo, viram vinagre. Idênticas aos vinhos. Mulher de cabelo curto é bebida fina. É pinot noir 2008. É a diferença entre uísque e scotch! É preciso ter qualidade de puro malte para o processo de maturação se adiantar ao envelhecimento pelo calendário gregoriano. Já viu mulher de cabelo curto preocupada com o calendário gregoriano? Convenções e engendramentos sociais? Bem capaz! A mulher de cabelo curto é um scotch 12 anos com maturação de 18.
Vinhos, scotchs e mulheres de cabelos curtos. Eis aquilo que separa os homens das codornas. A loira gelada, e geralmente cabeluda, é o melhor que um menino pode querer. Um dia, todo mundo se acostuma com o que pode vir a ter na vida. Meninos acham mulheres cabeludas o máximo. São codornas. Não foram apresentadas aos scoths e a uma mulher de cabelo curto. Mulher de cabelo curto não serve para publicitário fazer roteiro de propaganda de cerveja.
A mulher de cabelo curto entra em qualquer lugar como se ela fosse dona. Mulher de cabelo comprido precisa virar o pescoço para olhar com atenção. Mulher de cabelo curto só precisa mover os olhos. Mulher de cabelo comprido precisa ter atenção. Mulher de cabelo curto chama atenção por onde passa.
Não há nada para atrapalhar uma mulher de cabelo curto. Nem loiras geladas. Nem codornas mimadas.
A personalidade da mulher de cabelo curto é como um tipo especial de olho azul: ou nasce com, ou vive uma vida toda admirando no rosto dos outros. Mulher de cabelo curto não escolhe cortar o cabelo. Seria como colocar lentes de contato e pagar o preço do papel ridículo. A nós, homens, resta o esforço de procurar mulheres com personalidade.
E a sorte para encontrar uma mulher de cabelo curto.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Alice

Get to see Alice's wonderland as it is.
Great text. Liked it so much I'm sharing here.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Escrever é Ok

Escrever é dar a si uma chance de falar não como quem urge, mas como quem reflete, não de forma menos verdadeira, de modo a aparentar que escolhe um pouco mais detidamente as palavras por medo de ser mal interpretado ou querer agradar aquele que lê. Quem escreve assim o faz porque os pensamentos são ágeis, e fazem eles parte de um mundo muito maior de possibilidades, de que as palavras, assim escritas, não poderão jamais alcançar. É toda uma cautela de selecionar objetos de um mundo infinito e trazê-los à finitude; limitá-los àquilo que é tangível à linguagem e à capacidade humana de reter seu conteúdo. De preferência, para o todo sempre. Falar não demanda tudo isso. Falar requer apenas um ouvinte. Escrever demanda fixar, fixar com a alma e o coração. E não há nada de impessoal nisso. Guardar cartas de amor nunca será igual a guardar vagas memórias de uma declaração falada de amor. 
Escrever é OK

sexta-feira, 28 de junho de 2013

31 songs

I started reading today 31 songs, from Nick Hornby. It's a book about what music means to his life, and since I'm a great fan of him, I got really interested in. I have to confess I don't know most of the songs of the list, because I wasn't a great listener of pop music (specially in English - I'm brazilian) til the age of 14, maybe. But even though I don't know them, the way he writes keeps me just reading on. The first song he brings on is called Your love is the place where I come from. 
Well, I don't want to tell the story about the song, just want to share something I read in this first chapter, if I may call it that way, that I had to admit it's plainly true. 

"[...] if you love a song, love it enough for it to accompany you throughout the different stages of your life, then any specific memory is rubbed away by use". 
I used to not like some songs because of the memories they brought me, or, in reverse, I used to love some songs which remember me good moments, but sometimes thought wrong to like them, because the reason I felt happy didn't exist any longer. And I was just being stupid. That's why I'd kept listening to them along the years - after I could see how silly I was being. I want the songs that inspired me a good moment continue to be present in my life, as I could choose the soundtrack of it and feel alive. I want the people I love now and may love in the future to know my soul has something registered on it. And if they like it too, that they shall dance with me.

Thanks for letting me share my inner songs with you

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Little poem

Oh, he...
He smells like
blue pot of dream.
No potion would do
'ny same thing
to bring my lips
Close enough to him.
And I,
I know I'll do my best,
so that this love survives.
Coz baby you
mean my whole life.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

You make me happy

You know what one says: "The cure for unhappiness is happiness, I don't care what anybody says". In other words: You make me happy, I don't give a fuck about what people might say.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Aprendizado

Estudar tem lá seus méritos. Mas eu estou mais vivendo uma fase um tanto quanto frustrante. Hoje tive uma aula excelente - infelizmente, não apreciada por meus colegas de classe, já que estava sozinha na sala. Não é a essa frustração que me referi, porém. A frustração veio de um longo processo de altos e baixos chamado nada mais, nada menos que VIVER. Sim, isso que todo mundo faz de passagem aqui pela Terra. 
Não seria exagerado, mas talvez um pouco lugar comum, dizer que cada um vive à sua maneira. A minha é, por assim dizer, desprovida interpoladamente de grandes emoções. Tudo bem, eu amo a vida e me considero uma pessoa feliz. Não sou daquelas que contagia o ambiente de alegria, mas carrego comigo o espírito do "it's a long way to the top, if you wanna rock'n'roll". Não literalmente, claro. E obviamente, não de modo visível. Mas que importa o que os outros pensam, certo? Eu tenho minhas metas, e sei como devo fazer para alcançá-las.Também tenho lá minhas histórias vividas a serem contadas. Falta talvez um pouco de entusiasmo ou oportunidade. O que for esquecido primeiro. 
A verdade é que, muito embora eu faça uma viagem ou outra bacana ao longo do ano, tenha um namorado de não botar defeito algum, uma família que me ama e um gosto musical cujo repertório me permita ir de marcha fúnebre a beauty queen of the night, estudar é uma atividade frustrante. E é isso que tem resumido boa parte dos meus dias: estudo. 
Tudo bem, sou ciente de que há estudos maravilhosos. Eu mesma estava a elogiar a aula (Teoria Geral dos Princípios-Hermenêutica e Direito Constitucional Aplicado! Chique!). Sim, e é exatamente esse o problema. A aula foi maravilhosa. Mas o que dela eu vou levar para a vida? Com certeza muita coisa boa, que poderá muito bem ser esquecida daqui uma semana, porque estarei muito ocupada estudando assuntos que não me levariam a lugar nenhum, se não fossem o caminho para a almejada carreira pública. Mas a aula maravilhosa, bom, ela não vai ser objeto de nenhuma questão nos meus concursos. E o oblivion tomará conta. 
Então, para não deixar isso morrer, pelo menos não totalmente (pois não garanto a sucumbência em minha memória independente de registros) que fique aqui dito: hoje, 22 de abril de 2013, eu aprendi sobretudo que aprender é a arte do desaprender. A aula que tive hoje me obrigou a colocar de lado conceitos que eu tinha já tão bem acomodados em minha cabeça, para ceder lugar a uma nova perspectiva. Uma perspectiva crítica. Colocar de lado não é o mesmo que deletar. Na verdade, o mais interessante da aula foi ele partir da visão equivocada que temos de conceitos amplamente utilizados para construir sua crítica. É tão legal você ir acompanhando a aula, concordando com tudo o que o professor diz porque sempre estudou aquilo daquela forma, até que você fique plenamente satisfeito por ter feito direitinho a lição de casa, para então ele dizer "pois é, MAS isso não é verdade". E aí a casa cai. Ok, isso não é legal. Legal é ele questionar e fazer você se autoquestionar tudo o que achava que sabia. Legal é ele ir fornecendo elementos para sanar as dúvidas infindáveis que foram surgindo, até que se possa novamente construir um novo conceito e se tenha uma nova visão. Agora, mais crítica, mais ampla, e infelizmente, mais ignorável nas circunscrições em que devo utilizar dos meus conhecimentos.
Que o aprendizado de hoje, portanto, sirva para a montanha-russa da vida. Porque eu sei que ela não é a letra B no gabarito da minha futura prova. Mas, ah, que eu sinto que amadureci, isso sim. E isso deve bastar, em algum lugar menos efêmero. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Conversando

Sabe, eu não sou uma grande contadora de histórias. Eu me dou melhor nas pequenas intromissões de fala, quando alguém encarecidamente me pede um conselho ou quando minha resposta se limita a um "sim" ou "não", e um sorriso no rosto ou um olhar de "sinto muito" na cara, só para endossar. Nessas situações, eu sei que realmente me ouvem, ou até melhor seria dizer, "me ouvem com os olhos": reparam em minhas palavras, no meu olhar, nas minhas mãos, na pausa entre cada palavra transmitida.
Mas a rotina das conversas não costuma ser assim. Não culpo ninguém, talvez eu não saiba me expressar direito. Eu ainda dependo de todos meus sentidos para uma conversa. 
Vivo me perdendo nas narrações, porque inevitavelmente (na minha cabeça) a outra pessoa me lança um olhar de quem finge me escutar, ou, se nem for uma conversa cara a cara, eu consigo ouvir o desinteresse só pelas palavras escolhidas pelo interlocutor. E isso me tira o foco. Conversar para mim sempre foi muito mais que duas ou mais pessoas falando. Aliás, muita gente querendo conversar ao mesmo tempo me é um pouco perturbador. É tanta gente falando ao mesmo tempo, que eu não consigo ter o prazer de saborear a individualidade de cada um vindo de forma verbal. É quase uma tempestade. Só ruídos. 
Bem, eu confesso que entrei um pouco no jogo - talvez num estilo muito inglês meu de ser - quase nunca eu respondo a um "tudo bom?" senão com um outro "tudo bom?". Pode não ser lá muito educado, mas para mim é uma das maiores convenções sociais já inventadas ("How do you do?/How do you do?"). Ninguém precisa correr o risco do outro começar com o "bem, BEM, não tô, mas vai indo. Sabe que outro dia...". Mas que fique claro que se a pessoa responder à minha resposta-pergunta, eu vou ouvi-la com satisfação. Na verdade, eu defendo o cumprimento britânico, porque quem correria o risco seria o outro; talvez eu goste de ser sincera demais. E isso nem sempre pode prestar. Consciente dessa inconveniência, eu poupo as pessoas (oh, como eu sou altruísta!). 
Afinal, conversar para mim é, mesmo que só para fazer o social, uma troca de percepções da vida. Conversar exige tato. Exige esforço. Não que não deva ser algo agradável e natural. É igual a um relacionamento. Deve ser agradável e natural, mas exige esforço, porque são sempre duas pessoas diferentes que estão envolvidas. Uma boa conversa pode até ser aquela em que apenas um fala sem parar,  desde que o outro esteja ouvindo de verdade. É aquele "cala, reflete, consente, discorda" - tudo mentalmente. E disso, leva novos pensamentos para sua vida. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Heart

Sometimes I wished I weren't like that. So much love beating in a fragile heart. 

sexta-feira, 22 de março de 2013

sábado, 9 de março de 2013

Y ver allá

No por ignorar la belleza de lo sencillo
O por carestía de deslumbramiento
Que no me ha ocurrido las ideas a veces
Pasibles de una expresión poética libre.
Quizá sean los años que se fueron -
Rápidos demás para alguien como yo -
Que por ellos me perdí, me recogí,
Me reencontré y me acepté, 
Ni siempre así, tan facil como el avance
De verbos de segunda y tercera conjugación.
(Y ahora me pregunto si algún día 
Estuve yo como una primera siquiera)
Pero despacio, como se pasa en los cambios
De todo lo negro de los cabellos 
Hasta la blancura de la sabiduría. 

Verdad es que cambié, yo lo sé.
Dificil es precisar cuanto se fue en todo eso. 

Cúanto de mí se ha perdido por el camino,
¿Para que yo fuera hoy depararme aquí conmigo?
Cúando fue que yo me he encontrado totalmente,
¿Sino que sólo despues de acomodar
Una persona completa en mi corazón?
Yo ni siquiera sabía que para conocerme de todo
Tendría que antes permitir otra vida,
Que no mía, ocupar casi todo en mí: 
Los piensamientos, los sueños, las sonrisas
Y hasta el llanto por lo ajeno - 
Aun que parte de quien soy.
Pero si me pregunta si así estoy feliz,
¿Qué voy a decirle más que sí? 
Mi amor fue como un rescate,
Para verse lo bello además de la simplicidad.