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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Verso

Postando porque gostei da quadra. Simples assim.

"O Dedo Movente escreve; e, tendo escrito
Avança: nem todas as tuas Preces ou Sabedoria
Podem fazê-lo cancelar meio Verso
Nem tuas lágrimas apagarão uma só palavra".

Rubaiyat - Omar Khayyam

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Abraço

Se um dia você se der conta
de que o mundo é grande
e de que eu sou pequena,
espero que ainda assim
deseje minha companhia
para juntos explorarmos
toda essa imensidão.
Que eu não tenha que
lhe dizer adeus nunca,
porque não quero procurar
resquícios seus entre
o resto dos homens, porque
eu não quero ninguém
que não seja você mesmo.
Se um dia se der conta
de que é grande o mundo,
espero que entenda, João,
que não há abraço de um laço
pequeno como o meu
que abrigue amor maior
que esse grande mundo.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Ayer


Ayer - Vicentico

Del barrio me voy
Del barrio me fuí
Triste melodía que oigo al partir
Voy dejando atrás
Todo el arrabal de mi recuerdo
Rota la ilusión de mi esperanza
Toda la razón de mi existir
Este corazón se quedó solo también
Buscando su consuelo en el ayer

sábado, 14 de setembro de 2013

Traços

Com licença, que 'inda crio meu universo
dia a dia em prosa, verso ou rima pobre,
com deus, em monólogo, fantasia, via blog,
papo sério, feito verbo submerso nesse 
oceano de um lugar quiçá desconhecido.

Quero longe os símbolos desse pop,
sujo produto esnobe, antes vendido
em feira livre circulante, mundo reduzido
aos limites desses olhos - traços retos -
que tudo viam simples como sua forma.

Há espaço pra crescer. Verdadeiro desafio,
eu sei, se não um delírio, fruto imaginário
de tantas noites em vigília: atual relicário
daqueles sonhos desvairados que logram
perturbar as ideias minhas por ora sanas.

Vou preencher as lacunas com risos
e gracejos de um guizo camuflado,
recobrir esse espírito que vive amuado 
com doces paladares e sons adventícios
que não aqueles que desejo esquecer.

E quando a alma estiver grande e renovada,
de uma leveza desapressada, de sentimento
que ali me pertenço, não que mais ao vento
se negarão os caminhos de meus domínios.
Mas cerrarei os traços e me porei a dormir.





segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Lugar-comum

Não tem problema ser cliché o nosso amor.
A percepções alheias, é o que sempre será.
A ideia que dele fazem pouco importa:
mãos dadas, cafuné, jantares, sorvete e cinema -
comum a casal qualquer - isso sequer é amor.
Desiludidos: "a velha história de amor sem fim".
E repetem, ao ver todo par de gente, virando os olhos,
quiçá com repulsas; como se algo soubessem...
O fácil descuido de pensar que amor se compara.
Nosso amor é aquilo que nasce a partir dele.
Não falo das fotografias, das mensagens,
das piadas internas ou objetos que o coisificam.
São, antes, o pensamento não estampado na imagem;
o coração vibrando ao ler qualquer demonstração de afeto;
o sentimento de alegria inigualável
de se ter toda uma narrativa partilhada passível do cômico.
São as melodias vindas e vindouras,
simplesmente porque a canção lembra o outro.
Ou se cantadas, as músicas perdendo o ritmo,
pouco a pouco, em verdadeiro rallentando. 
Culpa do beijo. Embora, confesse: trajetória previsível
quando os lábios se põem a entoar
(cantar é pedir um beijo, sem pedir de verdade).
Quero, deveras, que nosso amor seja um "lugar-comum",
mas como metáfora do espaço ideal de conforto
que encontramos um nos braços do outro.




segunda-feira, 29 de julho de 2013

Poeminha do dia

Maquinomem
O homem esposou a máquina
e gerou um híbrido estranho:
um cronômetro no peito
e um dínamo no crânio.
As hemácias de seu sangue
são redondos algarismos.

Crescem cactos estatísticos
em seus abstratos jardins.

Exato planejamento,
a vida do maquinomem.
Trepidam as engrenagens
no esforço das realizações.

Em seu íntimo ignorado,
há uma estranha prisioneira,
cujos gritos estremecem
a metálica estrutura;
há reflexos flamejantes
de uma luz imponderável
que perturbam a frieza
do blindado maquinomem.

Helena Kolody

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Little poem

Oh, he...
He smells like
blue pot of dream.
No potion would do
'ny same thing
to bring my lips
Close enough to him.
And I,
I know I'll do my best,
so that this love survives.
Coz baby you
mean my whole life.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Heart

Sometimes I wished I weren't like that. So much love beating in a fragile heart. 

sábado, 9 de março de 2013

Y ver allá

No por ignorar la belleza de lo sencillo
O por carestía de deslumbramiento
Que no me ha ocurrido las ideas a veces
Pasibles de una expresión poética libre.
Quizá sean los años que se fueron -
Rápidos demás para alguien como yo -
Que por ellos me perdí, me recogí,
Me reencontré y me acepté, 
Ni siempre así, tan facil como el avance
De verbos de segunda y tercera conjugación.
(Y ahora me pregunto si algún día 
Estuve yo como una primera siquiera)
Pero despacio, como se pasa en los cambios
De todo lo negro de los cabellos 
Hasta la blancura de la sabiduría. 

Verdad es que cambié, yo lo sé.
Dificil es precisar cuanto se fue en todo eso. 

Cúanto de mí se ha perdido por el camino,
¿Para que yo fuera hoy depararme aquí conmigo?
Cúando fue que yo me he encontrado totalmente,
¿Sino que sólo despues de acomodar
Una persona completa en mi corazón?
Yo ni siquiera sabía que para conocerme de todo
Tendría que antes permitir otra vida,
Que no mía, ocupar casi todo en mí: 
Los piensamientos, los sueños, las sonrisas
Y hasta el llanto por lo ajeno - 
Aun que parte de quien soy.
Pero si me pregunta si así estoy feliz,
¿Qué voy a decirle más que sí? 
Mi amor fue como un rescate,
Para verse lo bello además de la simplicidad.

sábado, 30 de junho de 2012

Mistério

Nem sei direito por que, mas ele me adora
E lá fora, tem lugar p'ra tanta gente como eu...
Mas uma voz silenciosa me diz:
"Ah, não tem, não". 

terça-feira, 29 de maio de 2012

Espaço para amar

Nada como a tranquilidade a portas abertas...
Deixa-as assim, amor, que o tempo é curto
E o amor demasiado para uma tarde só.

Venha aqui mais pra perto de mim e diz baixinho,
Porque o sussurro cai bem ao amor.
Não por medo, receio, prevenção ou alerta.

Diz que sou tua, que és meu, que somos para nós.
E que já me amas, embora sem pressa,
Porque as portas, meu amor, ora estão abertas.

E se posso, assim, te querer, despreocupada,
Quero-te sem o meu vulgar silêncio,
Pois que a noite chega colérica, sem aviso.

E, cerradas, as portas entopem o lugar.
Mas amar... ah, amar requer espaço!
Há uma vasta extensão entre delírios e abrigo.


terça-feira, 6 de março de 2012

Satisfaça-me!

Vi este livro hoje na Livraria Cultura. Fiquei com aquela coceirinha na mão para comprar... Estou aceitando presentes e doações!

domingo, 4 de março de 2012

E por que penso assim?

"Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe..."

E por que sou assim? Por que penso assim? 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Life goes on

Enquanto não encerramos um capítulo, não podemos partir para o próximo. Por isso é tão importante deixar certas coisas irem embora, soltar, desprender-se. As pessoas precisam entender que ninguém está jogando com cartas marcadas, às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. (Fernando Pessoa)

Por uma nova fase, e que venha com tudo!

domingo, 13 de novembro de 2011

Linda flor...


"Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla". 
Antoine de Saint-Exupèry

Photo by cam DSC-W560

sábado, 29 de outubro de 2011

Whose fountains are within

Frase linda...

"I may not hope from outward forms to win
The passion and the life, whose fountains are within".

Não posso esperar ganhar de formas exteriores/ A paixão e a vida, cujas fontes se encontram dentro de mim.


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Frase do dia...

Eterno Fernando Pessoa...

Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.


sexta-feira, 15 de abril de 2011

O anúncio

Procuro alguém para conversar.
 Não estou à procura de um amor nem de um melhor amigo.
Procuro apenas alguém para conversar.
Procuro alguém que entenda
como pode ser tão humano apenas conversar,
 alguém para quem tudo bem de vez em quando eu dizer o óbvio
só para quebrar o silêncio indesejável,
alguém para quem “bom dia”
não seja mais um sinal da trivialidade na qual nos colocamos dia após dia,
 alguém que saiba que uma conversa
no melhor estilo elevador e “faz sol, faz chuva”
pode ser tão confortante quanto às vezes é preciso estar só.

Procuro alguém para conversar.
 Não quero que se zanguem pela imbecilidade que existe
em dizer que prato comi hoje ou ontem.
Não quero que deixem de me dizer tudo que pensam
apenas porque posso parecer frágil em alguns momentos.
Quero que conversem comigo.
 Não é pela carência.
É mais por um efeito recíproco daquela poesia drummondiana:
 quero escutar voz de gente, deixar de ser pobre!
Mas também gosto de me contar, me dispar e gritar
(mesmo que só por dentro).
Só quero alguém para conversar.

Procuro alguém para conversar.
 Alguém que possa dizer as mesmas coisas
sempre de novas maneiras
sem parecer mentira ou exagero,
 mas que se mentir ou exagerar,
eu me divirta tanto quanto o sujeito que narra,
e que ninguém se machuque por causa disso.
 Alguém a quem eu possa contar a mesma história
 infinitas vezes e rir sempre com a mesma intensidade.
 Ou chorar, por que não?
Não por causa das lembranças em comum.
Mas por causa da revelação,
 de tudo aquilo que aquela conversa representa.

Procuro alguém para conversar.
Não me dêem terapeutas, psicólogos ou pessoas do gênero.
 Não, não há nada de errado com esses profissionais.
Mas também não há nada de errado comigo,
obrigado.
 Eu quero alguém para conversar
sem  ter de encostar minha cabeça num divã
aberto a teorias infindáveis de quem sou pelo que fiz.
Eu quero alguém que possa conversar comigo
sem o olhar de um doutorzinho na vida,
pois que doutores da vida
todos somos desde quando nascemos.

Procuro alguém para conversar
até quando todos os assuntos possíveis tiverem se esgotado,
 e o verbo for algo escasso.
Procuro alguém que saiba que conversar
vai além da sonoridade das palavras:
 uma boa conversa sempre é regada de gestos
 (talvez até bem teatrais),
 risadas, olhares, caretas e até de silêncio.

Por fim, procuro alguém para conversar.
Alguém a quem eu possa dizer “adeus”
sem parecer “adeus” ao pé da letra.
Alguém que entenda que adeus é só uma palavra oca
 que inventaram para partir corações.
 Que seja um “adeus” de brincadeira então,
 só para dar um pouco de saudade e logo dizer “voltei!”
 e daí se conversarem novamente.

Adeus!

sábado, 28 de agosto de 2010

Monólogo aberto

Hoje eu estava assistindo o video "How to be alone", ouvindo o poema de Tanya Davis... esse tipo de coisas sempre me dá o que pensar.
Difícil é dividir esses meus pensamentos de forma lúcida e esclarecida. Pareço mais um boneco falando frases aleatórias se pressionado para tanto!
Tentemos.
Eu sou uma pessoa que sempre soube curtir um momento de solidão. Não essa solidão de achar que o mundo não o quer. Solidão de simplesmente estar apenas você. Você e sua mente. Ninguém mais. Ok, confesso. Talvez haja mais alguém... ou alguma coisa. Um espelho, um cachorro, um deus, e por que não um blog? (risos).
Quando escrevo aqui, embora em muitos posts eu me dirija a uma terceira pessoa (no caso, utilizando o vocativo "você", pra tentar até ganhar um espaço mais íntimo no seu pensamento), estou na verdade conversando comigo mesma.
O video fala muitas coisas inteligentes, e de uma forma que dá até vontade de ficar repetindo feito mantra... "no one will think less if your hanging with your breath seeking peace and salvation"...
Mas, eu também vivo pensando que às vezes pode acontecer de alguma ideia nossa chegar ao ouvido de alguém no momento certo.
Então, ainda que eu abra um monólogo aqui, espero do fundo do meu coração, que pelo menos uma frase consiga adentrar a sua mente, sem sequer bater na porta, numa invasão que simplesmente faça tudo se encaixar melhor. Talvez como uma epifania. Mas não precisa ser nada tão grande assim.
No vídeo ela também fala para não negligenciarmos uma arte que queremos aprimorar. Sei que não sou boa escritora e/ou poeta. Se eu conseguisse escrever qualquer coisa que fizesse sentido a você, querido leitor... ah! eu já estaria satisfeita.
Enquanto isso não acontece, eu vou deixar minha mente ir tecendo meus comentários. E pode ser que, assim, uma hora eles o façam tropeçar, obrigando-o a dar uma pequena olhadinha pra cima ("oi, tudo bem aí embaixo?" - talvez perguntem simpaticamente...) e você então consiga ver algo numa perspectiva completamente nova.
É, talvez nada do que eu fale aqui faça sentido. E metáforas realmente não ajudam nada a fazer sentido... mas uma hora o tropeço vem. Não necessariamente pelo que eu digo. Quem sabe sua própria mente já não esteja tentando lhe dizer, e é você que não a está escutando?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Desperdício

Eu sei, faz muito tempo que não atualizo aqui. Mas ultimamente, tem uma coisa inquietando demais minha cabeça. Bem aquela coisa ululante mesmo, que não cessa, não dá trégua ao pensamento, e me impede de ter um dia mais ameno como bem eu gostaria de ter.


C. Drummond de Andrade certa vez expôs a seguinte frase:
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade".
Pois eu me pergunto quanto tempo leva para um alguém chegar às mesmas conclusões. É velha história do tarda mas não falha? Tudo bem, talvez eu tenha uma vida toda para esperar. Talvez, não.
Não tenho medo de sofrer. Não contagotejo minhas forças. Não nego meu amor. E no entanto! No entanto... que desperdício!