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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Fique onde está e então corra

Se eu só pudesse indicar DOIS livros de cada autor que eu amo, do John Boyne eu indicaria "O garoto no convés" e "Fique onde está e então corra". 
Juro que quando começaram a divulgar "Fique onde está...", eu fiquei empolgada, mas nem tanto. Dei um share básico no Face, marcando meu namorado (para ele ter a grande sacada de me comprar um quando desse na telha), e acabei ganhando o livro dele (uma coincidência e tanto, vocês não acham?).
Só uns três dias atrás, no entanto, é que tive a oportunidade de lê-lo. Eu o devorei. Fazia tempo que isso não acontecia, por mais que eu adore ler.

"Fique onde está e então corra" é uma prova de que livro grosso não é sinônimo de livro bom. Não me levem a mal, eu gostei muito do "O ladrão do tempo", por exemplo, mas "Fique onde está e então corra" está, para mim, numa categoria muito acima de "O ladrão do tempo". 

Sobre o que é o livro?
É a história de Alfie Summerfield, um garoto londrino que no início da história está comemorando seu aniversário de 05 anos. Bem no dia em que as batalhas da Primeira Grande Guerra começaram: 28 de julho de 1914. 
Seu pai, Georgie um leiteiro muito corajoso, resolve se alistar voluntariamente, a contragosto de sua esposa, Margie e sua mãe, vovó Summerfield. Depois que a guerra começou, as coisas mudaram bastante na rua Damley, onde Alfie vivia com seus pais. Uma delas é justamente que seu pai está ausente. Georgie sempre mandava cartas no começo, mas com o tempo elas foram se tornando menos frequentes, e quando chegavam, Margie as escondia do filho, que acabava encontrando debaixo do colchão, até que um dia não encontra mais nenhuma, e, como um trem que emite um ruído contínuo e insistente, levando embora entes queridos, ele só conseguia pensar "morreu-meu-pai-morreu-meu-pai-morreu-meu-pai-morreu...". E todos os dias ele abria o jornal na página de óbitos, para conferir se o número que deram ao seu pai, quando se alistou, aparecia.
Esperto, Alfie não se conforma com as respostas vagas da mãe, quando lhe perguntava onde estava seu pai e ouvia as palavras "ele está numa missão secreta para o governo, e por isso não pode escrever" (ou coisa do tipo, estou obviamente parafraseando). Assim, acaba indo atrás de informações, mas nunca as obtém de ninguém. Até que um dia, uma pista de onde seu pai poderia estar cai literalmente do céu. E então, ele vai atrás do seu pai.
Essa não é uma história sobre a Primeira Guerra Mundial. É uma história sobre o amor, acredite. 

Se eu não tinha ficado empolgada com o anúncio, posso dizer que chorei horrores lendo o livro. Alfie cativa o leitor desde o começo, com sua simplicidade e bondade. Há uma passagem no livro que me emocionou em especial, porque ele demonstra que para resgatar alguém é preciso, antes de mais nada resgatar memórias. E é com a simplicidade de Alfie que ele faz isso. Não reavivando uma memória complexa e cheia de detalhes, mas justamente aquela, do dia a dia, que as pessoas às vezes deixam passar despercebidas. Para mim, esse foi o grande trunfo do livro. 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Verso

Postando porque gostei da quadra. Simples assim.

"O Dedo Movente escreve; e, tendo escrito
Avança: nem todas as tuas Preces ou Sabedoria
Podem fazê-lo cancelar meio Verso
Nem tuas lágrimas apagarão uma só palavra".

Rubaiyat - Omar Khayyam

quinta-feira, 29 de maio de 2014

The climb

Okay. Now I've got to share this in here.
Always owner of the greatest suggestions, my babe showed me today a short documentary about creativity, which I watched to, though, through the perspective of what I'd call "the climbing to success". It explains why the "author" thinks Da Vinci was no genious - at least till he got into his highest spot of his long career.
I loved it.

To see the videos, access here. It's called The long game.  

terça-feira, 6 de maio de 2014

Do que eu falo quando eu falo de corrida

Livro de memórias do romancista Haruki Murakami (1Q84), Do que eu falo quando eu falo de corrida, conta como ele se tornou escritor e porque começou a correr. Ao longo da jornada que traçou para si, foi inevitável relacionar a corrida com a escrita: "A maior parte do que sei sobre escrever ficção aprendi correndo todos os dias". Em resumo, eu poderia dizer que a persistência de quem corre deve ser a mesma de quem deseja escrever um romance. Para mim, a essência do que o autor quer passar com seu relato encontra-se na seguinte frase, já ao final do livro: "Para conseguir captar alguma coisa de valor, às vezes você tem de realizar atos aparentemente ineficientes". Como corredora (não uma corredora séria, dentro dos critérios de Murakami, mas que vai um pouco além de apenas correr "de brincadeira"), consigo entender as comparações. Infelizmente isso não necessariamente me torna uma boa escritora em potencial, mas, como eu mesma destaquei com a frase, devo ainda acrescentar o óbvio: escrever e correr são dois desses atos aparentemente ineficientes. Se os frutos dessa persistência serão bons ou não na verdade não importa muito. O que importa é quem você se torna no curso da maior corrida que tem de enfrentar: a vida. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Pequena Abelha

Era nosso aniversário de dois anos de namoro. Já tínhamos jantado e até recusado a sobremesa porque estávamos satisfeitos e esperávamos a conta. E então eu tive a brilhante ideia de contar sobre o livro "Pequena Abelha", de Chris Cleave, para meu namorado. Contei a história toda. Não toda detalhada, claro. Afinal, ainda que não tenham trazido a conta em questão de segundos, nunca há muito tempo para uma grande narração nesse intervalo. Mas contei sobre o assunto, o clímax e o final (sim, porque eu sei que ele nunca vai ler o livro mesmo). Prometo não contar o final aqui, entretanto. Porque espero, com sinceridade, que você o leia.

A história é sobre refugiados. Pequena Abelha é o nome de nossa protagonista. Não é seu nome verdadeiro, é um nome que criou para se proteger, para viver, não num anonimato, mas em meio à esperança de continuar viva. A trama, é claro, gira em torno especificamente de Pequena Abelha, uma nigeriana que foge de seu país rumo à Inglaterra, mas é detida por 2 anos assim que lá chega. 
Temos outra narradora no livro, Sarah, cuja história se cruza com à de Pequena Abelha num passado nunca por ambas esquecido. Talvez você ache melhor classificá-la como coprotagonista, ao lado de "Abelhinha", como também gostava de ser chamada. Mas, pessoalmente (e sou eu que lhes escrevo, de modo que posso escrever o que bem entender - muaha-ha-ha :P) eu não a consideraria assim, apesar de o livro todo revezar os relatos, ora de Abelhinha, ora de Sarah. É só porque, como disse inicialmente, a história é sobre refugiados (é como eu vi o livro, ao menos). A história de Abelhinha é uma entre outras tantas. É fictícia, mas é a personificação de muitas histórias verdadeiras, não tenho dúvidas. O próprio autor ao fim do livro diz que, embora o centro de detenção onde Pequena Abelha ficou por 2 anos não exista, ele é baseado em relatos de refugiados que realmente estiveram em centros como aquele. 
Eu não quero contar-lhes muito a respeito do livro. Achei ele simplesmente genial. Eu peguei-o para ler, confesso, sem esperar muita coisa dele, ainda mais porque é daqueles livros que enche de declarações de um tanto de críticos na contracapa e ainda não quer revelar nem sobre o que a história trata. E, cá entre nós, perdão pela vulgaridade, mas geralmente quando fazem isso, o produto é uma merda. Mas, se já faço muito em revelar sobre o que o livro irá trazer, não me atrevo a contar nada mais. Se ele quer se anunciar como o faz, cheio de mistérios, só acredite em mim: ele o faz por merecer! Ele pode!
Só tem mais uma coisinha que queria dividir aqui a respeito do livro. Em geral, ele é genial por uma série de motivos, a história é fascinante, os personagens vão criar reações em vocês, mas, tem um QUÊ a mais em tudo isso, que costuma ser MUITO importante para mim: ele é cheio de frases de efeito. Frases de efeito geniais. Quando eu pensava que tinha lido a melhor delas, logo me aparecia outra. Acho que não consegui eleger uma favorita. Mas se vocês conseguirem, por favor, compartilhem ela aqui comigo! 
Boa leitura.

sexta-feira, 28 de março de 2014

O Garoto no Convés

Esse é provavelmente um livro tão bom que dispensa entrar em detalhes e cometer o erro de soltar um spoiler. O livro conta uma versão ficcional, por John Boyne, de uma história verdadeira sobre o motim no Bounty - fragata do Rei Jorge da Inglaterra, sob o comando do Capitão Bligh. O protagonista, o jovem John Jacob Turnstile,  conquista logo a simpatia do leitor, mesmo no começo da aventura ser dado a uma vida de furto.
E é um furto que leva Turnstile a embarcar no Bounty. Como forma alternativa de cumprir a pena de encarceramento por 12 meses, o fidalgo francês, Matthieu Zéla, vítima do furto, propõe ao juiz que o jovem substitua ao criado do capitão do Bounty numa missão ao Otaheite (Taiti). Dessa aventura, com certeza o mestre Turnstile aprenderá muitas coisas para a vida, e a sua ida à ilha será crucial para mudar seu destino. 

Ao ler o livro, me afeiçoei por muitos personagens, me irritei com outros tantos, tudo na medida, creio, que Boyne quis passar. A história é grandiosa, emocionante, e, não sei se por não ter estado muito bem de saúde nos últimos dias de leitura, sinto até que sofri as dores dos personagens. Recomendo o livro, sem restrições. É uma história sobre lealdade, sonho, superação, e, oras, sobre a vida. Talvez, não como gostaríamos que ela fosse, mas, ainda que de certa forma ficcional, como ela realmente é. 

terça-feira, 18 de março de 2014

Um dia

Alerta, spoiler!
O que me levou a ler "Um dia", de David Nicholls foi, sem dúvida, a capa do livro. Mais honesto seria dizer, o que eu LI na capa do livro. Nada mais, nada menos que um breve comentário do Nick Hornby. "O QUÊ??? O NICK LEU O LIVRO? TAMBÉM QUERO!", pensei comigo. O comentário dele? "Cativante, inteligente, espirituoso". 
Olha, eu concordo com ele. O livro cativa porque, como os romances em geral, queremos saber a história. Emma Morley é um tanto teimosa, mas ainda assim é uma protagonista da qual gostamos facilmente. Foi ficando mais chatinha com o passar dos anos, sem dúvida. Mas eu atribuo isso à sua própria teimosia. E por todas as coisas bacanas que Dexter poderia ter feito, mas não fez. Simplesmente porque estava bêbado demais e, sóbrio, não achava que a ideia era tão bacana assim. Uma pena. 
É inteligente por dois motivos: sua estrutura e a personalidade de Emma. A estrutura é feita com as histórias paralelas de Em e Dex a cada 1 ano, todo dia 15 de julho, dia de São Swithin - que, segundo Dex, se chover nesse dia, choverá por 40 dias assim. Achei uma metáfora encantadora. Emma e Dexter vivem 20 anos nem chovendo e nem molhando, e não apenas 40 dias. É como se eles tivessem parado no tempo, no primeiro encontro e permanecido no mesmo estado por todos esses anos. Não que cada um não tenha evoluído (ou decaído) nesse meio-tempo, mas, em relação ao sentimento entre os dois, há uma paralisia que incomoda nós leitores. TODO mundo sabe que Emma e Dexter se gostavam e que deveriam ficar juntos. E por que isso não acontece em tantos anos? Bom... já disse lá atrás. Teimosia e bebida demais (leia-se imaturidade).  Quanto à personalidade de Emma, ela é erudita e naturalmente engraçada. Mas boa parte da graça advém do fato de lhe faltar autoconfiança, e, aos poucos, esse lado engraçado pode cansar. Mas, como a própria sorte dela irá mostrar, Emma é uma literata. Ponto para David Nicholls que acertou na dose!
Espirituoso? Ah sim. Creio que até demais. Eu preciso dizer que, num todo, não gostei da história. Por ser espirituosa demais. Não que eu quisesse um romance água-com-açúcar (eu nem gosto muito de livros assim - leves demais), mas para mim não havia mais história depois de Emma. Eu sei que a vida segue, e é isso que talvez Nicholls quis mostrar. Mas Emma era o brilho nas entrelinhas, e meio que perdeu um pouco o sentido ler o livro só para ver o que o Dex resolvia fazer da vida. 
Não é um livro que eu não recomendaria, no entanto. Mas, no final das contas, a verdade é que a gente conhece muitas pessoas iguais a Emma e Dex, e olha para trás, vê que elas não se acertaram, que perderam muito tempo, que poderiam ter sido mais felizes. 
Para mim, é sobre isso a história: sobre o desperdício do amor - tecla que Carlos Drummond tanto batia. E, ai, como isso me cansa. 

sábado, 15 de março de 2014

O caderno de Maya

Decidi escrever alguma coisa sobre os livros que leio, assim que os termino, para não me esquecer da história. Não é nenhum crítica, review ou coisa do tipo, apenas impressões, pontos a destacar sobre o enredo, sobre algum personagem.
Vou começar com o Caderno de Maya, que terminei já tem mais de uma semana...
De verdade, não recomendo a leitura para quem não gosta de spoiler. São posts um tanto quanto egoístas, que talvez possam interessar a alguém, mas esse nem é o objetivo. O objetivo, já disse, é não me esquecer das histórias.

Sinceramente, Maya Vidal, protagonista, para mim, era uma garota mimada sem muita força de vontade, o estereótipo da pessoa que foi criada pelos avós durante a infância e na transição entre adolescência e vida adulta se perdeu. 
Chorei de verdade quando a avó, Nidia, implora para que Maya tome juízo, "pela memória de Popo", como Maya carinhosamente chamava seu avô. Se eu fosse ele, assistindo à degradação humana por que ela passa, certamente ficaria muito decepcionado. Não é o que Isabel Allende pareceu querer passar. De certa forma, Popo aparenta sempre estar presente, mesmo no mais baixo nível que Maya consegue chegar, protegendo-a. 
Não gosto de pessoas como Maya, que fazem más escolhas e culpam o mundo pelo rumo que suas vidas tomam. Tudo bem que uma hora, olhando para trás, admite que ela mesma era a responsável pelo seu destino. Mas até ela cair em si, ela já tinha quase perdido a sua dignidade.
Eu gostei é de Nini, a avó. Por ser dura e doce ao mesmo tempo. Pode até ser que Popo a estivesse protegendo o tempo todo e tenha lhe proporcionado uma infância repleta de boas memórias. Mas se não houvesse um pulso firme como de Nidia, eu não creio que Maya teria alguma salvação. 
O pai de Maya existe, e é tão ausente como personagem no livro como é na vida de Maya. A mãe, então, nem se o diga. 
Mas eu gostei muito do livro. Maya é uma personagem que não foi feita para a gente se apaixonar ou sequer torcer por ela. É alguém para não se espelhar. É alguém que está aí para mostrar que nossas decisões têm repercussões, têm peso, e podem destruir nossa vida. E o livro está aí para mostrar que a vida não é fácil mesmo. 
Por trás desse drama todo vivido, ainda tem 2 histórias paralelas muito boas, a que explica do quê Maya fugia, enquanto escrevia em seus cadernos, e a verdadeira história de sua família; um segredo que Nini escondeu por anos até de seu próprio filho, o pai de Maya (sério mesmo, não me recordo o nome dele - ora, que me importa?). 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Ayer


Ayer - Vicentico

Del barrio me voy
Del barrio me fuí
Triste melodía que oigo al partir
Voy dejando atrás
Todo el arrabal de mi recuerdo
Rota la ilusión de mi esperanza
Toda la razón de mi existir
Este corazón se quedó solo también
Buscando su consuelo en el ayer

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Filmes a caminho...

Ano que vem saem duas adaptações de livros muito queridos meus para os telões!


E o A long way down, do Nick Hornby 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Poeminha do dia

Maquinomem
O homem esposou a máquina
e gerou um híbrido estranho:
um cronômetro no peito
e um dínamo no crânio.
As hemácias de seu sangue
são redondos algarismos.

Crescem cactos estatísticos
em seus abstratos jardins.

Exato planejamento,
a vida do maquinomem.
Trepidam as engrenagens
no esforço das realizações.

Em seu íntimo ignorado,
há uma estranha prisioneira,
cujos gritos estremecem
a metálica estrutura;
há reflexos flamejantes
de uma luz imponderável
que perturbam a frieza
do blindado maquinomem.

Helena Kolody

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Appetite

My appetite is bigger than my laziness


A fome me tirando da cama antes do que eu pretendia, desde que me conheço por gente! 

terça-feira, 12 de março de 2013

Oh, Vincent...

Uma das minhas obras favorita
Oh, Vincent... I sometimes feel like you did.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Peru por meio de fotos

Às vezes não basta ler um relato, uma matéria, um livro inteiro que seja, para se ter ideia dos encantos que um lugar poder abrigar. 
Para quem ainda está curioso pelas belezas que o Peru possui, eu indico o álbum de fotos do meu irmão, um fotógrafo e tanto (sim, estou só me gabando, afinal, quem não é, se gaba do que tem, rs).
Agora é só se encantar!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Me encanta

Estou postando aqui uma banda que vem me conquistando pouco a pouco.
Segue a letra da canção, que rega toda a minha alma.




Dame un respiro
Dame el aliento
Siéntate cerca
Dime que sí.
Hazme guirnaldas
Con mil palabras
Dame una escusa
Quiero creer

Dame razones
Para olvidarlas
Mueve mi falda
Dame un porque
Dame un regalo
Envenenado
Dame tormentas
Déjame arder

Dame puertas abiertas
Camas desechas
Pasos perdidos
Silencio en la piel
Dame puertas abiertas
Camas desechas
Quítame el sentido
Dame la razón

Dame la espalda
Dame un anzuelo
Toma las riendas
Pierde el control
Dame ventaja
Tómate un tiempo
Mueve mi mundo
Quiero caer

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Uma noite memorável

Todos se despediam, cada um seguindo para seu carro. Os motoristas, já ao lado da porta da condução, acenavam uns aos outros em sinal de adeus; os caronas, por seu turno, metiam, quase apressadamente, as mãos nas maçanetas, abrindo as demais portas dos veículos.
Ela, no entanto, aguardava, a pouco mais de um metro do automóvel, seu amigo destrancar a porta. Ele enfiou a chave e a rodou, sorrindo-lhe gentilmente. Ela agradeceu com um meneio e entrou no carro, batendo de leve a porta com a ajuda dele. Se não fosse pela porta, suas mãos teriam se tocado. Ele deu a partida, e todos deixaram para trás o sítio e as diversões do dia, rumo à estrada poeirenta.
A noite estava estrelada. Um céu inteiro formando um tapete de luzes cintilantes, espiando de cima a insignificância dos seres que as fitavam, desenvaidecidos.
Ela ficou deslumbrada. Não via o firmamento carregado assim de brilho desde que voltara a morar no sul, pensou consigo. Seu amigo, percebendo ou não o fascínio da garota, fez um breve comentário sobre a beleza de tudo aquilo. E acrescentou, rapidamente: “vou fazer algo que não se deve fazer”, e desligou as luzes do farol, ainda guiando o carro. Assim, as estrelas puseram-se a reinar sozinhas e magistralmente naquele momento em meio à pretensa escuridão.
Foram os segundos mais prazerosos que ela teve em muitos anos, a despeito da condução pouco defensiva. Ela encantou-se instantaneamente. Não tinha muita certeza se era pela vista privilegiada, se pela postura de seu amigo em lhe propiciar tal privilégio, ou se por ambas as situações juntas. De uma coisa sabia: naquele momento, algo dentro dela havia despertado. E então, a noite, engolida por infinitas luzes, tornou-se memorável; os faróis novamente acesos, estavam os dois de volta à realidade. Para ela, tarde demais. Era amor. 

De sterrennacht - Vincent van Gogh

terça-feira, 13 de março de 2012

Momento Van Gogh

Estive no MASP na semana passada. Eu nem sabia que o museu dispunha de algumas obras de Van Gogh. Confesso que não me sentia emocionada assim desde quando tive o prazer de ver Jostein Gaarder pessoalmente. 
Simplesmente curti e guardei para sempre aquele momento. De tirar o fôlego!



Para quem gostaria de saber um pouco mais sobre a vida deste gênio, recomendo este livro. 


terça-feira, 6 de março de 2012

Satisfaça-me!

Vi este livro hoje na Livraria Cultura. Fiquei com aquela coceirinha na mão para comprar... Estou aceitando presentes e doações!

sábado, 3 de março de 2012

Os sete pecados capitais de uma leitora

Quando li o post da Mari fiquei empolgadíssima com a ideia e, portanto, resolvi postar minha resposta.
Como ela mesma descreve no post, tudo nasceu da tag "Seven deadly sins of beauty" (Sete pecados capitais da beleza). Ok, falar de maquiagem é legal, mas restringe o público. Falar de livros é um pouco melhor...
Agora, vamos lá.


GULA - Qual livro você comprou por gula, ou seja, simplesmente para ter na estante?


Sinceramente, ainda não comprei, mas é que estou esperando me definir onde estarei nos próximos meses de forma mais definida para poder fazer o pedido online para o endereço correto. A saga de O Guia dos Mochileiros da Galáxia em verdade não haveria necessidade de comprar, pois já li e já existe um box na família. Mas, convenhamos, um dia terei minha própria casa, com minha biblioteca particular (ok, está mais para uma salinha de leitura) e gostaria de ter o meu próprio box
Em verdade, na minha sonhada biblioteca particular, quero que estejam todos os livros que já li. Talvez meu maior pecado seja a gula mesmo.

AVAREZA - Existe algum livro que você comprou porque estava barato ou deixou de comprar porque estava caro demais?

Ó Céus! E como há! Mas o que encabeça mesmo a lista é este: 


O livro estava em promoção do tipo "Queima de estoque". Barato mesmo (R$ 9,90). E tem uma historinha que demonstra bem a avareza. Já estava barato, mas minha avó, que na ocasião estava comigo, se ofereceu para comprar para mim. É claro que eu aceitei. Avarenta nada, né?

LUXÚRIA - O que lhe atrai visualmente visualmente na hora de comprar um livro? Qual livro você comprou/compraria somente pela capa?


Os livros da coleção Abril são um charme! Há títulos que de verdade nem me apetecem, mas eu compraria só pela capa, e quem sabe, quando viesse a calhar, eu os leria. 

IRA - Qual foi o personagem ou a história que mais te deixou com raiva? Com qual livro ou série literária você tem aquela relação de amor e ódio? 


Clodagh! Sem nem pensar duas vezes. Não sou moralista (ok, talvez seja um pouco), mas ela é exatamente o tipo de FDP que eu não gostaria de topar por aí.

INVEJA - Que obra literária você adoraria ter na sua coleção? 


Confesso que bateu uma invejinha rosa quando eu soube que meu irmão havia encomendado diretamente dos EUA à minha mãe o livro Fight Club. Eu já o tinha lido por e-book, mas tê-lo fisicamente é incomparável. A inveja não foi em si pelo livro, mas pelo fato de eu não ter tido a mesma ideia e ter pedido um livro bacana que não encontraria tão fácil (ou barato - de novo a avareza...) aqui no Brasil.

PREGUIÇA - Qual livro que está/ficou parado na sua estante simplesmente porque você tem preguiça de ler? 



Tive muita preguiça de ler Robinson Crusoe. Sei que há um post no blog em algum lugar em que eu comento minha excitação para lê-lo. Acontece que, como pessoas, os livros às vezes também decepcionam (afinal, são escritos por pessoas). Não que a decepção tenha sido grande. É só que algumas partes se tornaram meio entediantes e tive que fazer promessas pessoais para terminá-lo. Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena! Gostei, só não é dos meus favoritos.

SOBERBA - Qual livro você não lê por orgulho? 

Até hoje não li e nem tenho ganas de ler qualquer livro do Paulo Coelho. O porquê? Sinceramente, puro preconceito. Algo do tipo "não vou com a cara". Sei que para não gostar, tem que "provar". Mas quando se  é tomada por preconceito... ihhh, poucas coisas conseguem fazer a cabeça de alguém. No meu caso, já disseram: "olha, até o Bill Clinton lê... então... por que não?" 

Infelizmente, a pergunta já está (pobremente e sem mais) respondida.