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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Fique onde está e então corra

Se eu só pudesse indicar DOIS livros de cada autor que eu amo, do John Boyne eu indicaria "O garoto no convés" e "Fique onde está e então corra". 
Juro que quando começaram a divulgar "Fique onde está...", eu fiquei empolgada, mas nem tanto. Dei um share básico no Face, marcando meu namorado (para ele ter a grande sacada de me comprar um quando desse na telha), e acabei ganhando o livro dele (uma coincidência e tanto, vocês não acham?).
Só uns três dias atrás, no entanto, é que tive a oportunidade de lê-lo. Eu o devorei. Fazia tempo que isso não acontecia, por mais que eu adore ler.

"Fique onde está e então corra" é uma prova de que livro grosso não é sinônimo de livro bom. Não me levem a mal, eu gostei muito do "O ladrão do tempo", por exemplo, mas "Fique onde está e então corra" está, para mim, numa categoria muito acima de "O ladrão do tempo". 

Sobre o que é o livro?
É a história de Alfie Summerfield, um garoto londrino que no início da história está comemorando seu aniversário de 05 anos. Bem no dia em que as batalhas da Primeira Grande Guerra começaram: 28 de julho de 1914. 
Seu pai, Georgie um leiteiro muito corajoso, resolve se alistar voluntariamente, a contragosto de sua esposa, Margie e sua mãe, vovó Summerfield. Depois que a guerra começou, as coisas mudaram bastante na rua Damley, onde Alfie vivia com seus pais. Uma delas é justamente que seu pai está ausente. Georgie sempre mandava cartas no começo, mas com o tempo elas foram se tornando menos frequentes, e quando chegavam, Margie as escondia do filho, que acabava encontrando debaixo do colchão, até que um dia não encontra mais nenhuma, e, como um trem que emite um ruído contínuo e insistente, levando embora entes queridos, ele só conseguia pensar "morreu-meu-pai-morreu-meu-pai-morreu-meu-pai-morreu...". E todos os dias ele abria o jornal na página de óbitos, para conferir se o número que deram ao seu pai, quando se alistou, aparecia.
Esperto, Alfie não se conforma com as respostas vagas da mãe, quando lhe perguntava onde estava seu pai e ouvia as palavras "ele está numa missão secreta para o governo, e por isso não pode escrever" (ou coisa do tipo, estou obviamente parafraseando). Assim, acaba indo atrás de informações, mas nunca as obtém de ninguém. Até que um dia, uma pista de onde seu pai poderia estar cai literalmente do céu. E então, ele vai atrás do seu pai.
Essa não é uma história sobre a Primeira Guerra Mundial. É uma história sobre o amor, acredite. 

Se eu não tinha ficado empolgada com o anúncio, posso dizer que chorei horrores lendo o livro. Alfie cativa o leitor desde o começo, com sua simplicidade e bondade. Há uma passagem no livro que me emocionou em especial, porque ele demonstra que para resgatar alguém é preciso, antes de mais nada resgatar memórias. E é com a simplicidade de Alfie que ele faz isso. Não reavivando uma memória complexa e cheia de detalhes, mas justamente aquela, do dia a dia, que as pessoas às vezes deixam passar despercebidas. Para mim, esse foi o grande trunfo do livro. 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

The climb

Okay. Now I've got to share this in here.
Always owner of the greatest suggestions, my babe showed me today a short documentary about creativity, which I watched to, though, through the perspective of what I'd call "the climbing to success". It explains why the "author" thinks Da Vinci was no genious - at least till he got into his highest spot of his long career.
I loved it.

To see the videos, access here. It's called The long game.  

terça-feira, 6 de maio de 2014

Do que eu falo quando eu falo de corrida

Livro de memórias do romancista Haruki Murakami (1Q84), Do que eu falo quando eu falo de corrida, conta como ele se tornou escritor e porque começou a correr. Ao longo da jornada que traçou para si, foi inevitável relacionar a corrida com a escrita: "A maior parte do que sei sobre escrever ficção aprendi correndo todos os dias". Em resumo, eu poderia dizer que a persistência de quem corre deve ser a mesma de quem deseja escrever um romance. Para mim, a essência do que o autor quer passar com seu relato encontra-se na seguinte frase, já ao final do livro: "Para conseguir captar alguma coisa de valor, às vezes você tem de realizar atos aparentemente ineficientes". Como corredora (não uma corredora séria, dentro dos critérios de Murakami, mas que vai um pouco além de apenas correr "de brincadeira"), consigo entender as comparações. Infelizmente isso não necessariamente me torna uma boa escritora em potencial, mas, como eu mesma destaquei com a frase, devo ainda acrescentar o óbvio: escrever e correr são dois desses atos aparentemente ineficientes. Se os frutos dessa persistência serão bons ou não na verdade não importa muito. O que importa é quem você se torna no curso da maior corrida que tem de enfrentar: a vida. 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

150km

E de repente a pessoa fica com vergonha porque estabeleceu a meta de correr 150km ao longo de um ano, e descobre que outros correm isso em 14 dias. - meu pensamento, ao ler Do que eu falo quando eu falo de corrida (Haruki Murakami).
Tudo bem, Murakami, eu não me considero nem escritora e nem corredora. Mas uma grande fã sua, de todo modo. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Pequena Abelha

Era nosso aniversário de dois anos de namoro. Já tínhamos jantado e até recusado a sobremesa porque estávamos satisfeitos e esperávamos a conta. E então eu tive a brilhante ideia de contar sobre o livro "Pequena Abelha", de Chris Cleave, para meu namorado. Contei a história toda. Não toda detalhada, claro. Afinal, ainda que não tenham trazido a conta em questão de segundos, nunca há muito tempo para uma grande narração nesse intervalo. Mas contei sobre o assunto, o clímax e o final (sim, porque eu sei que ele nunca vai ler o livro mesmo). Prometo não contar o final aqui, entretanto. Porque espero, com sinceridade, que você o leia.

A história é sobre refugiados. Pequena Abelha é o nome de nossa protagonista. Não é seu nome verdadeiro, é um nome que criou para se proteger, para viver, não num anonimato, mas em meio à esperança de continuar viva. A trama, é claro, gira em torno especificamente de Pequena Abelha, uma nigeriana que foge de seu país rumo à Inglaterra, mas é detida por 2 anos assim que lá chega. 
Temos outra narradora no livro, Sarah, cuja história se cruza com à de Pequena Abelha num passado nunca por ambas esquecido. Talvez você ache melhor classificá-la como coprotagonista, ao lado de "Abelhinha", como também gostava de ser chamada. Mas, pessoalmente (e sou eu que lhes escrevo, de modo que posso escrever o que bem entender - muaha-ha-ha :P) eu não a consideraria assim, apesar de o livro todo revezar os relatos, ora de Abelhinha, ora de Sarah. É só porque, como disse inicialmente, a história é sobre refugiados (é como eu vi o livro, ao menos). A história de Abelhinha é uma entre outras tantas. É fictícia, mas é a personificação de muitas histórias verdadeiras, não tenho dúvidas. O próprio autor ao fim do livro diz que, embora o centro de detenção onde Pequena Abelha ficou por 2 anos não exista, ele é baseado em relatos de refugiados que realmente estiveram em centros como aquele. 
Eu não quero contar-lhes muito a respeito do livro. Achei ele simplesmente genial. Eu peguei-o para ler, confesso, sem esperar muita coisa dele, ainda mais porque é daqueles livros que enche de declarações de um tanto de críticos na contracapa e ainda não quer revelar nem sobre o que a história trata. E, cá entre nós, perdão pela vulgaridade, mas geralmente quando fazem isso, o produto é uma merda. Mas, se já faço muito em revelar sobre o que o livro irá trazer, não me atrevo a contar nada mais. Se ele quer se anunciar como o faz, cheio de mistérios, só acredite em mim: ele o faz por merecer! Ele pode!
Só tem mais uma coisinha que queria dividir aqui a respeito do livro. Em geral, ele é genial por uma série de motivos, a história é fascinante, os personagens vão criar reações em vocês, mas, tem um QUÊ a mais em tudo isso, que costuma ser MUITO importante para mim: ele é cheio de frases de efeito. Frases de efeito geniais. Quando eu pensava que tinha lido a melhor delas, logo me aparecia outra. Acho que não consegui eleger uma favorita. Mas se vocês conseguirem, por favor, compartilhem ela aqui comigo! 
Boa leitura.

sexta-feira, 28 de março de 2014

O Garoto no Convés

Esse é provavelmente um livro tão bom que dispensa entrar em detalhes e cometer o erro de soltar um spoiler. O livro conta uma versão ficcional, por John Boyne, de uma história verdadeira sobre o motim no Bounty - fragata do Rei Jorge da Inglaterra, sob o comando do Capitão Bligh. O protagonista, o jovem John Jacob Turnstile,  conquista logo a simpatia do leitor, mesmo no começo da aventura ser dado a uma vida de furto.
E é um furto que leva Turnstile a embarcar no Bounty. Como forma alternativa de cumprir a pena de encarceramento por 12 meses, o fidalgo francês, Matthieu Zéla, vítima do furto, propõe ao juiz que o jovem substitua ao criado do capitão do Bounty numa missão ao Otaheite (Taiti). Dessa aventura, com certeza o mestre Turnstile aprenderá muitas coisas para a vida, e a sua ida à ilha será crucial para mudar seu destino. 

Ao ler o livro, me afeiçoei por muitos personagens, me irritei com outros tantos, tudo na medida, creio, que Boyne quis passar. A história é grandiosa, emocionante, e, não sei se por não ter estado muito bem de saúde nos últimos dias de leitura, sinto até que sofri as dores dos personagens. Recomendo o livro, sem restrições. É uma história sobre lealdade, sonho, superação, e, oras, sobre a vida. Talvez, não como gostaríamos que ela fosse, mas, ainda que de certa forma ficcional, como ela realmente é. 

terça-feira, 25 de março de 2014

Orgulho, orgulho, orgulho!

AHHHH, Que orgulho!!!
Não entendo quase nada do que está escrito, mas estou toda orgulhosa de ver meu irmão"zinho" saindo assim até em blog japonês
E sim, eu concordo, ele é uma graça! Enfim, fiquei com vontade de conhecer o tal Cafe. Quem sabe quando. 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Take good care: MOVE

I'd like to initiate this year with a post about health. I must admit that I was shocked with all the numbers in the reports. 
Brazil costs $12 billions due to inactivity??? I haven't checked the formal data, but of course it makes sense to spend more (say, with health issues) if there's a problem related to less caring about physical activity. 
I'm happy for not being inside what is considered as "normal" nowadays. I could number the friends of mine that I could actually call physical active. Yes, most of them don't even go for a walk once a week. And no, of course spending the whole day shopping doesn't count as an activity, mostly when it turns out that you'll sit for a "coffee break" by so.
The thing that specially makes me happy is that, even it's true what is said in the website, "No one can fix this alone", it is also true that you can choose a beloved one that hasn't got the habit, and turn him into an active member of what we should consider as normal: just physically active! 
So, if you still don't get what I am talking about, take a little of your time and surf the Designed to Move to have a better clue. 
But, if you're too lazy for that, at least follow my advice: go for a walk (you can start with once a week, then increase it until it becomes something diary), run, play more soccer (and not only at weekends), swim, go skating, hiking, whatever, but MOVE. And try to recruit others with you. Make the world stronger. 
Happy 2014, everyone!!!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Conectados

Na maioria das vezes as pessoas não se dão conta do quanto são especiais para alguém. Eu tenho muitas pessoas especiais. Algumas por um momento específico que me marcou, outras por uma fase inteira de convivência, que gera o sentimento de consideração, e outras por estarem sempre no dia após dia ao meu lado. Essas últimas quero para a vida toda, é claro. As outras, não necessariamente; o que não retira delas  meu carinho e o desejo de que sigam suas vidas felizes. 
Uma pessoa pode ser especial porque você estava se sentindo deslocado e, mesmo sem se dar conta disso, ela lhe faz companhia por alguns instantes, ou talvez durante toda uma tarde. Não creio ser uma questão de carência. Eu acredito mais no fato de que há pessoas cuja presença nos conforta e que há pessoas com as quais, talvez por puro preconceito, intuição, conhecimento metafísico - chame como quiser -, nunca nos daremos bem. Simples assim: algumas pessoas se conectam por vínculos incompreensíveis ou não. Outras  jamais se conectam, mesmo quando tentam.  
Eu tenho consideração por duas mulheres em minha vida: minhas duas amigas de infância. Embora apenas continue me encontrando com uma delas, o sentimento e as memórias são eternos. Lembranças que, vira e mexe, acabo reconstruindo em minha mente. Não para viver uma nostalgia sem precedentes. Apenas porque recordar também faz parte da busca de nós mesmos. 
E podem até falar mal de algumas pessoas, pelas mais diversas características que lhe puderem ser atribuídas. Se foi cordial comigo num momento que tudo que eu precisava era de cordialidade, tem meu respeito. Simpatia é uma coisa. Cordialidade é muito mais amplo. Simpatia é fácil. Cordialidade requer algo mais elevado no espírito do homem.
E pode ser que aconteça apenas uma única vez daquela forma e nunca mais. Pode ter certeza que eu guardei cá comigo só a melhor parte. Afinal, a vida é muito curta para desavenças e conflitos mal resolvidos. Até porque o ser humano é um paradoxo materializado. E não sou eu quem vai querer fazer ponderação dos valores que cada um tem para si, sobretudo se eles tendem a variar no tempo e no espaço. Eu fico só com os meus. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Peru por meio de fotos

Às vezes não basta ler um relato, uma matéria, um livro inteiro que seja, para se ter ideia dos encantos que um lugar poder abrigar. 
Para quem ainda está curioso pelas belezas que o Peru possui, eu indico o álbum de fotos do meu irmão, um fotógrafo e tanto (sim, estou só me gabando, afinal, quem não é, se gaba do que tem, rs).
Agora é só se encantar!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Peru - país lindo

De volta de recém-visita ao Peru. Que país lindo! Sob vários aspectos, eu me apaixonei por este país de origem Inca.
Meu primeiro destaque vai para o povo. As pessoas lá são indiscutivelmente acolhedoras. Dizem que o Brasil é um país receptivo, com pessoas "quentes" e simpáticas. Isso é bem verdade comparado a países do outro lado do mundo. Mas os peruanos têm um jeito próprio de demonstrar afeição. É uma afeição natural de quem quer que você entre não para fins meramente comerciais da ganância. É aquela afeição advinda da necessidade de ganhar o pão de cada dia, sim, mas sempre com um sorriso sincero no rosto, um "buen día" e muita calma. Eita povo colorido.
Cidades um pouco maiores como Juliaca vivem um trânsito desordenado, mas incrivelmente sem colisões. Ao meio de tantos "tuk-tuk", bicicletas e carroças, não se vê praticamente nenhum veículo amassado. É uma confusão que eles parecem entender.
Nem por isso tudo lá brilha feito novo. Bem pelo contrário, as casas - quase nunca acabadas -, os já ditos veículos e as pessoas em geral, estampam desgaste. Quanto maior a altitude, mais o vento gélido queima e envelhece até o rosto da mais tenra criança. Não sei se é só o frio que as envelhece, ou se é a condição econômico-financeira do país que corrobora essa fisionomia um tanto quanto sofrida; desde pequenos parecem entender que é preciso garantir "la propina del día". Quase todos os lugares por que passei, se fosse tirar foto de um rebanho de lhamas ou mesmo da pessoa, o comum era pedir uma "ajudinha". Quem lá liga para direito à imagem? Un nuevo sol (moeda peruana) estava de bom grado. Mas houve em especial dois garotos que pararam para a foto, fazendo pose com toda convicção, pelos quais eu simplesmente me encantei.
Também posso dizer que são pessoas de palavras, o preço que prometem fazer, eles cumprem. Não há dúvidas que a maior parte das cidades próximas às turísticas vivam também dessa atividade. E as "feirinhas" artesanais nelas se proliferam. Quando se vai por entre as barraquinhas, se desejar comprar algo, pechinche. Não porque é o que eles querem, mas porque, em geral, conseguirá um preço justo pela mercadoria, e eles não se ofendem com isso. Temos o hábito aqui no Brasil de pagar pelas coisas um preço irreal. O produto vale bem menos do que se oferece, e embora fiquemos desgostosos com o preço, o pagamos sem cerimônias. Acredito que essa experiência, de a toda compra querer economizar, me transformou um pouco. É bom poder oferecer aquilo que você entende por certo. Faz refletirmos o valor que damos para cada coisa, daquilo que se adquire com dinheiro, e daquilo que dinheiro algum compra.

Puerto Maldonado, cidade capital do departamento de Madre de Dios, comemorava seu aniversário, e uma festa mesclada com ares de Navidad acontecia. Houve um desfile com carros enfeitados, e um deles distribuía (num termo "bonitinho", já que, em verdade, o ideal seria dizer "jogava") balas às crianças que assistiam ao desfile. E dava para ver a ânsia da garotada. Aquele asfalto sujo, empoeirado, e elas se atirando ao chão para pegar os doces, como se a vida delas dependesse disso. Bom, talvez não a vida, mas quiçá o sentido dela. A felicidade tem muitas conotações, e alguma delas, só estando na pele alheia para saber.

Os melhores pratos deles, no meu paladar, são as papas fritas, quinua, pollo e o tomate. Mas não se deve ter pressa para comer, até porque, eles não têm pressa para cozinhar. Mas, por mais demorado, do ponto de vista crítico brasileiro, que seja o serviço, eu não consegui me estressar, porque todos os garçons e garçonetes mantinham o semblante tranquilo e o sorriso mais caloroso que já tive a oportunidade de ver. Sabe aquele sorriso da pessoa amada, quando você olha para ela, e ela o retribui com um sorriso que você enxerga a bondade da pessoa até os mais afastados rincões da alma? Então, era assim que eu me sentia toda vez que sorriam. E só cabia esperar, quase como se estivesse apaixonada.

Quanto à cultura Inca, gostaria de partilhar aquilo que ficou mais vívido, e portanto, pude reter em minha memória. As explicações do guia Alex em Machu Picchu - dono de uma postura muito respeitosa em relação aos demais colegas de mesma ocupação no parque - eram feitas em voz baixa, para não atrapalhar as explanações alheias, e para fazer com que aqueles que estivessem efetivamente interessados em ouvir aquilo que tinha a dizer, que se aproximassem. E foi nesse clima de "rodinha" que as informações foram passadas, tal como um ancião repassa seus conhecimentos ao seu povo, sem muito esforço vocal, mas com memória impecável e orgulho da história de seu país.
Machu Picchu foi projetada para ser uma cidade povoada pelos "mejores maestros", considerados nobres. Eram excelentes astrônomos, e já conheciam o movimento de rotação e translação da Terra, de modo que dividiam seu calendário em 4 estações do ano, este iniciado (para nós) em 21 de junho, solstício de inverno, cuja noite é a mais longa do ano.
A cidade contava com sistema de drenagem de águas, estrutura trapezoidal de construção para dar maior estabilidade contra os sismos, e curiosos e bem elaborados sistemas de trava de portas como método de segurança. As portas que continham tal sistema eram altas porque determinadas autoridades não caminhavam, sendo carregadas, e porque por aquelas passavam mantimentos, cargas e afins. De modo geral, entretanto, percebe-se que as portas são baixas, o que, conjuntamente com outros estudos, estima-se que a altura média da população não ultrapassava 1,60m. Ainda que baixos, eram dotados de porte físico muito forte, e tinham como um dos lemas "não ser preguiçoso". Nem haveria como. São tantos degraus...
Junto às paredes, há inúmeros vãos, também em trapézio, onde os incas exibiam seus "ídolos". Com a queda do império inca, que ocorreu devido a uma guerra civil por disputa de poder entre os governantes, esses ídolos, em grande parte de ouro, foram saqueados.

A cruz andina. A cruz andina possui 3 níveis: o do mundo animal, do mundo material, e do mundo espiritual. Ela era esculpida pela metade, como se a outra metade estivesse encravada no solo. Razão disso, existia uma certa exposição solar cuja sombra projetava exatamente a parte restante, completando a cruz. Uma das simbologias mais belas que já tomei conhecimento. Desculpa, igreja católica, eu sinceramente me emocionei mais com o significado dos 3 degraus para a elevação sublime do que a expiação. Se a beleza do país não paga meus pecados, eu não sei mais o que o fará. 


sexta-feira, 16 de março de 2012

Aceitar é...

“Ser aceito é ser percebido antes de ser entendido. É ser acolhido antes de ser querido. É ser recebido antes de ser conhecido. É ser experimentado antes da experiência. É, pois, um estado de compreensão prévia”.

domingo, 4 de março de 2012

E por que penso assim?

"Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe..."

E por que sou assim? Por que penso assim? 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Onde está a felicidade?

Quem não conhece nosso querido Wally? Onde está Wally foi um dos conjuntos de livros que mais gostei em minha infância. Feito em capa dura, formatação enorme, bastava abrir o livro para sentir que estava abrindo um jogo de tabuleiro, desses que se fecham pela metade para guardar na caixa, feito banco imobiliário, jogo da vida e afins.
Eis uma típica cena do livro.


Consegue encontrá-lo?

Pois bem. Era uma brincadeira um tanto quanto divertida, até porque cada cenário propunha ao leitor achar outros tantos itens inusitados, e o legal era realmente apreciar a riqueza de detalhes da imagem.

Brincar de procurar coisas sempre foi, pelo imaginário do homem, uma das melhores diversões do mundo. Brincamos de esconde esconde, caça ao tesouro e Mãe da rua colorida, por exemplo, porque adoramos procurar coisas. Procurar pessoas, procurar objetos, procurar uma cor.
E por que não falar que estamos todos à procura da felicidade?

Pode ser que nem nos deparemos com isso, mas estamos buscando isso a todo momento. Afinal, não procuramos pessoas interessantes sem uma finalidade. Faz parte do convívio social? Sem dúvidas. Mas porque encontrar alguém com o qual nos identificamos faz bem à nossa pessoa. E não precisa ser nenhum cientista para saber que o que nos faz bem nos proporciona felicidade.
Onde está a felicidade deve ser uma das maiores questões da humanidade. E todo mundo de vez em quando se atreve a respondê-la. 
Ora, a felicidade está em todo lugar, dizem uns.
Outros citam poemas e frases famosas.
Outros tantos preferem se ater à simplicidade: a felicidade está num sorriso.

Difícil adotar só uma vertente e esquecer as demais. Sim, a felicidade está em todo lugar, para aquelees que sabem olhar para o mundo com olhos de criança.
Sim, Drummond tinha razão, nos sábios versos: "a dor é inevitável, o sofrimento é opcional".
Sim, a felicidade está num sorriso, porque ninguém sorri da própria infelicidade. Não sem um mínimo de autossarcasmo.
Sim, a felicidade está nas pequenas coisas da vida.

Portanto, creio que a felicidade está em tudo isso e mais um pouco.


Alguém duvida?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Mexa-se!

A tecnologia tem ajudado: todo mundo tem um pequeno destaque nos dias de hoje se quiser. Basta um clique e um loading, e pronto, existe um vídeo seu na internet. No geral isso não é ruim. Até discordo de James Ellroy, autor do livro "Dália Negra", que esteve no Flip e criticou os blogs.  Para ele, todo dono de blog se acha um escritor. Eu não creio que todos os blogueiros se vejam como escritores. Eu não sou escritora nem tenho ilusões de que assim possa ser chamada. Sou uma pessoa normal que tem ideias e tem vontade de dividi-las. Nada mais. 
Ok, mas se no geral toda essa parafernália do mundo moderno não é ruim, o que há de ruim? 
O ruim é que algumas pessoas se deixam seduzir por essa aparente exposição pública que ganham internet a fora e, como se isso fosse o mais importante, param no tempo. 
Como assim param no tempo?
O menino posta um vídeo seu no youtube desabafando sobre não sei o quê. Os amigos acabam vendo o vídeo. O vídeo ganha alguns acessos. O menino começa a se inflar só em ego. E então, ele vai querer mais. E o que ele vai fazer para ter mais? Ora, fará só o mais do mesmo. E tem nisso o ponto alto de sua adolescência. 
Por que os jovens hoje não procuram outros tipos de destaque? 
Eu não nego. Adoro ter destaque. Nem sempre é possível, claro. Mas eu gostava de ter destaque no colégio, nos cursos que frequentava. Esse tipo de destaque eu vejo com um destaque saudável. Agora, aparecer um vídeo seu no youtube que só alcança uma fama quase autodestrutiva (nasce para morrer no esquecimento)... não vejo com bons olhos. 
Você pode até pensar: e destaque na escola não é autodestrutivo? Claro, também nasce para cair em completo oblivião. Mas o que eu ganhei com esse destaque ninguém me tira. Ora, eu APRENDI. Eu APREENDI conteúdo. Eu cresci. Eu aderi algo a mim. Dá para entender a diferença?
E essa fama autodestrutiva, fácil de se conquistar, não apenas não acrescenta nada como também não nos permite progredir. É uma fama que não se sustenta, só causa uma depressão enorme no infeliz que acreditava que aquilo era tudo de mais importante que havia. E não é diferente quando as celebridades caem. A fama que não acrescenta nada a você como pessoa humana só pode ser autodestrutiva. A pessoa se deprime quando o mais do mesmo não tem mais graça para ninguém (nem para ele mesmo que começou tudo).
Mas é difícil colocar isso na cabeça de nossos jovens. 
Tudo que posso dizer é: não se esforce para ter 1000 ridículas visualizações no seu vídeo. Isso não vale a pena. Esforce-se para querer ser grande, grande em espírito. Mexa-se! Procure ler com frequencia, ver filmes ricos em conteúdo, aprenda um novo idioma, tenha amigos mais inteligentes que você. 
Tenha o desejo de crescer.
E seja feliz!


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Pintura viva

Imagine só você estar andando e se depara com um quadro natural de plantas que reproduz o "Campo de trigo com ciprestes" de Van Gogh!!!
Pois é verdade... é claro que isso não está acontecendo no Brasil. Mas para aqueles que tiverem a oportunidade, o National Gallery em Londres, em parceria com a General Electric, colocou a ideia em prática.




Agora sim, imagine que legal deve ser poder curtir a "telona" aí ao vivo.

Pra quem se decepcionou... calma! O quadro, feito com mais de 8.000 espécies de plantas irá adquirir com o tempo as cores do quadro de Van Gogh, é só esperar a primavera chegar... eu ia adorar estar no lugar da moça de rosa.


Vi na FarmRio
Mais informações.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Alienação Parental

É triste. É meu modo mais simples de resumir toda a ideia desse post.
Termos chegado ao ponto de propor um projeto de lei criminalizando a alienação parental só realça um problema de falta de bom senso entre pais separados.
Para quem está em contato com a ciência jurídica, sabe que o Direito Penal deve existir como ultima ratio, ou trocando em miúdos, o Direito Penal só deve atuar como último recurso à solução de algum problema. Imaginem se para cada probleminha existente na sociedade, tivéssemos que pedir a condenação de alguém! Viveríamos uma sociedade com regras desproporcionais, onde o bom senso não teria vez.
A criação de uma lei nesse sentido é desnecessária, porque o bom convívio entre pais e filhos já é abarcado pelo art. 227, caput da Constituição Federal. O seu texto é claro:

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

O próprio deputado federal Regis de Oliveira, que propôs a criação da lei, é contra a criminalização. A ideia de criminalizar a alienação parental surgiu como uma emenda ao projeto.
De qualquer forma, ainda que a lei se limite ao civil, sua sustentação é que o preceito da Lei Maior não vem sendo observado com uma frequência alarmante. O que, como disse no começo, é triste.
Uma coisa é você extinguir os laços conjugais com outra pessoa. Outra totalmente diversa é você não permitir que seu filho desfrute de uma boa relação com o pai (ou mãe).
Não creio que a ideia de o pai/mãe, responsável pela alienação parental, perder o poder familiar seja desproporcional. O erro reside no fato da sociedade, figurada nas famílias, não estar cumprindo com o bom senso.
Precisa mesmo vir uma lei nova pra ensinar os pais a serem BONS pais?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Não se engane (como eu)!

Que eu nunca fui vaidosa, meu bolso confirma: nunca gastei horrores em coisas relacionadas à estética. Nem "horrorezinhos". Claro que também não faço campanha pró-BE-UGLY-BETTY (e confesso, falo sem respaldos. Nunca vi o seriado. Quem quiser soltar os cachorros pra cima de mim, à vontade).
A verdade é que gasto muito pouco com cosméticos e produtos de beleza. E descobri recentemente, diga-se na minha última ida ao Paraguai, que realmente não sou NADA vaidosa. Descobri que talvez nem o básico (no critério atual das mulheres vaidosas) eu ando cuidando.
Maquiagem mesmo? Ihhh... só em eventos, festas, finais de semana em shoppings, e mais à noite. Ou então, por que não, pra impressionar o namoradão.
A única coisa que não abro mão é creme hidratante corporal (bem chique falar assim, não?). Mas a marca... pfiiii... whatever comes! Leia-se: a mais barata e não desconhecida da prateleira.
No Paraguai, fiquei impressionada com o número de cremes, xampus, condicionadores, e afins para tratamento estético. Xampus de todos os tipos, tamanhos, odores, cores, embalagens e preços também, claro. Condicionadores, então, nem se diga! Cremes combatentes da celulite, vixi, aos montes!
Numa "olhadela de esguelha", vi na cesta de uma mulher ao meu lado o tanto de produtos que ela estava levando só para o seu querido cabelo: xampu 1, xampu 2, creme 1, creme 2, finalizante, anti-frizz e um spray a base de silicone.
Um verdadeiro "Oh My God!" ecoou na minha cabeça quando vi aquilo. E eu aqui me achando A CAUTELOSA por usar um leave-in pós banho.
Verdade segunda do post seja dita, hoje em dia já existem produtos dos mais diversos pra mulherada (e por que não pra alguns vaidosíssimos homens) se cuidar. Na minha inocência, sempre acreditei que algumas mulheres eram simplesmente lindas. E dizer que são simplesmente lindas, seria pensar que faziam um esforço menor que o meu (que já mínimo) e serem absolutamente lindas. Como eu estava enganada! Hoje esses produtos não são tão caros assim, já que a oferta é muito grande. Claro que ter grana ajuda. Mas basta encontrar uma loja com vários representantes diferentes (marcas e tal) e faça a festa! Não sei da eficiência... mas existem até cremes anti-rugas por R$7,00! A verdade é que o banheiro se lota de embalagens cosméticas e não existe uma parte do nosso corpo que não seja "abençoada" por um produtozinho estético. Propagandas que fazem campanhas pela beleza verdadeira da mulher são contagiantes e convincentes ao máximo. Mas não deixam de ser propagandas e de estimular nosso lado consumista, só é um jeito mais... real de fazer propaganda. Mas o apelo é justamente esse. Nessa era da compulsão pela beleza, fazer o consumidor se achar atraente é o melhor marketing possível: a gente se cuida mais quando a auto estima está elevada! E que venham os produtos!

sábado, 6 de junho de 2009

Descarregando

Vejam só! Agora só me resta porem um crachá dizendo "ridícula" ou então "ignorante".
Que há de tão horrível, surpreendente, inacreditável, no fato de eu não ter lido hoje no jornal online às 14h sobre o achado dos destroços do air france?
"Mas você não viu que acharam os destroços??????????? Como???????????????". E depois ainda tenho de encarar um sermão sem fundamento nenhum: "não lê notícia nenhuma, né? Fica toda desinformada".
Desculpem-me, de verdade.
Não sou nenhuma ridícula ou ignorante porque perdi "um capítulo" dessa novela toda. É, porque não é isso mesmo que fazem os noticiários? Um bando de fanáticos senta em frente à TV, esperando as "cenas do próximo capítulo".
Ok, estou generalizando. Mas que não é mentira nenhuma que quando a notícia é trágica se rende o dia da imprensa, isso não é.
Mas no meio de tantos pontos de interrogações cheios dessa zombaria descabida, estão as minhas perguntas:
1) Não é pelo fato das pessoas poderem trocar informações em conversas civilizadas que as notícias correm o mundo? Então, em vez de me zombar por tão ínfima coisa, porque não se orgulha de outra coisa? Do tipo "passei informação pra frente!" Muito mais bonito, não?
2) Ok, você senta hoje pra acompanhar o noticiário, mas quer só se inteirar do assunto do dia, ou seja, no caso, do voo 447, airfrance. E o resto? Ah, vai pro saco, né? Pode estar rolando um projeto interessante na cidade, mas e aí? Ninguém está comentando sobre isso... não quero saber; eu quero ser social e falar muito somente sobre o voo.
3) Que adianta saber tanto sobre uma coisa só? Se daqui algumas semanas, quando tudo tiver se resolvido, ninguém mais vai tocar no assunto (pro pesar de todos aqueles que estão constantemente sofrendo por aquilo que um dia já foi notícia no mundo inteiro). Logo se arranja um outro assunto para o fanatismo. E por aí vai...
4) Será que preciso dizer mais alguma coisa?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Que pretendemos nós?

Que o mundo dá voltas ninguém duvida. Mas com tanto tempo correndo assim, será que os jovens continuam os mesmos?
Não que eu seja contrária a mudanças, mas certos valores jamais devem ser perdidos. Resumo tudo numa frase: pai e mãe são sempre pai e mãe, e devemos respeito a eles por toda nossa vida. Mas, bem ao contrário dessa idéia, parece que às vezes o mundo se perde. Filhos matando pais por dinheiro (e o inverso também, nem se o diga, mas como jovem, abordo na perspectiva de minha geração), que não sabem mais conversar com eles, que morrem de vergonha deles, que os ignoram, que perderam qualquer tipo de respeito mesmo.
Furtando-me um pouco do pensamento de Mark Bauerlein, mas sem dimensionar especificamente para os "estragos da era digital", concordo que os filhos estão perdendo muito deixando de ter momentos pessoais e momentos em família.
Conto-lhes uma historinha.


Ainda de pouca idade, o menino sobre sua bicicleta andava pelas ruas de sua cidadezinha, cujo nome me escapa à memória. Era uma das pequenas cidades próximas a San Pedro de Atacama, no Chile.
Fato curioso foi o menino ter cruzado a vista de três pessoas ao mesmo tempo, minha, de minha mãe e de meu irmão, a quem a foto do post pertence.
Nossa atenção voltada a ele foi tão grande que o acompanhamos até que houvesse o rompimento de nossa expectativa.
Naquele dia me senti como quando pegamos um jornal e damos uma olhada nas tirinhas. Você passa pelo primeiro quadrinho, o fato começa a ser narrado visualmente, ou até com a ajuda dos diálogos; segundo quadrinho uma evolução esperada do primeiro; e o terceiro, aquela quebra súbita causada no leitor.
O garoto, não sei por qual razão (freio quebrado, desconhecimento de seu uso), utilizou-se de um meio um tanto inusitado para parar sua bicicleta. Nada de pôr os pés no chão. Escolheu um bom muro (e lá os muros são verdadeiros empilhados rústicos de tijolos feitos de terra e palha, cujo nome é "adobe"), diminuiu a velocidade parando de mexer os pés sobre os pedais, e o pneu encontrou a colisão certa.
Nós três demos uma risada uníssona, já que simultânea, e foi impossível evitar qualquer tipo de comentário.
Depois, já esquecidos do assunto, encontrávamo-nos dentro do carro, prontos para o próximo ponto turístico, outra localidade. Eis que o menino nos cruza a passagem novamente.
Voltava ele com uma sacolinha pendurada no guidão.
O garoto podia bem ter acabado de fazer a compra especial do mês, com aquele dinheirinho que guardou por um bom tempo, já planejando exatamente em que iria gastá-lo. Ou então, numa segunda hipótese - cuja versão me faz bem acreditar - com todo o amor que devia receber em sua casa - humilde mas provavelmente rica em carinho - foi mais um daqueles favores que o filho faz pela mãe, indo ao mercadinho comprar frente à irresistível solicitação e uma bela oportunidade de fazer o bom e velho papel de filho querido - já meio esquecido nas grandes urbanizações.





Simples narração minha, que gosto de contar para mostrar a simplicidade que ainda existe na humanidade.
A pergunta que não quer calar é: onde estão os muros que vamos escolher para freiar nossos comportamentos sem limites? Que coisa é essa (e chamo de coisa mesmo) que silenciosamente nos tira do âmbito familiar, nos tira os momentos de conversa, aquela, entre pai e filho? Essa coisa invisível que faz tudo perder sentido. Afinal, quem pretendemos ser de verdade? Um falso cognato cairia bem aqui. O verbo "pretend", do inglês, poderia substituir perfeitamente minha interrogativa, sem fazer perder a ironia que lhe assim quis. Quem nós fingimos ser? E completo: e para quem fingimos ser?
Enquanto nós mesmos não escolhermos a parede para nossos freios, ela mesmo irá surgir, como "uma pedra no meio do caminho", já bem notara Carlos Drummond de Andrade.
Qual será não sei responder. Mas ela sempre aparece.