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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Medicina UFMT

Venho aqui exercer meu direito à liberdade de manifestação do pensamento (art. 5º, IV de nossa Magna Carta), expressando minha solidariedade  aos alunos do curso de medicina da UFMT.
 Fazendo um retrospecto do ocorrido, resumo: no início de junho estudantes do curso paralisaram, insatisfeitos com o curso. Dirigiram suas críticas, entre outras,  ao não cumprimento de carga horária de aulas práticas, falta frequente de professores, o aumento do número de vagas do curso sem a necessária adequação física e contratação de mais professores –  ou seja, críticas à violação do Plano de Ensino e das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Medicina no Brasil. A priori, houve diálogo entre os graduandos e o corpo docente, o qual chegou a manifestar apoio à iniciativa dos alunos. No entanto, o que parecia um acordo verbal feito entre discentes e docentes e coordenadoria mostrou-se insuficiente. Os acadêmicos então redigiram um manifesto e uma carta aberta aos professores, chefes de departamentos e demais estudantes do curso.  Dias depois foram às ruas expor à população de Cuiabá o descaso da UFMT por meio de protesto, publicaram um video na internet (#queroestudar) e, como nada disso fez mexer as engrenagens para melhoria do curso, os alunos procuraram o Ministério Público relatando suas queixas. Ao que tudo indica a representação ao MP restou infrutífera. As férias vieram e se foram, os alunos chegaram a fechar a faculdade para aumentar a pressão e o resultado disso tudo: professores ameaçaram os acadêmicos de reprová-los por falta. E agora o curso segue como se nada tivesse acontecido. Afinal, foi ou não foi um “cala a boca”?
Fica, pois, a minha indignação. Todos sabemos que o curso de medicina é visto como o mais concorrido das universidades em geral, que sua admissão pelo vestibular ou mesmo agora pelo Enem ainda carrega um status de glória àqueles que nele ingressam, e que os que ingressam, na maioria, já passaram à idade adulta. Então por que não os tratar como adultos? Penso que o diálogo havido entre os discentes e o corpo docente deveria ter sido medida sufiente para chegar-se num acordo verdadeiro e frutífero. Mas a impressão que fica é de que não passou de uma fachada para momentaneamente acalmar-se o ânimo dos alunos.
Sei que o curso está passando por mudanças, que houve a adoção de nova metodologia. Sei também do primeiro lugar no Enade conquistado com louvor e sei também haver grandes profissionais dentro do curso, seja como médico seja como professor. Porém, não sei dizer ao certo se estão eles satisfeitos ou não com tais mudanças. Entendo que as mudanças baguçam um pouco tudo por onde passam, mas a intenção é sempre o progresso, a melhora. Afinal, como no campo da gestão de empresas, não saímos da era da inspeção e chegamos na era do balanced scorecard? Houve insatisfação no processo? Com certeza, mas os empresários hoje não estão mais preparados? Com certeza. Assim deve ser também no curso de medicina. E, ainda, maior responsabilidade existe para a medicina da UFMT que se sobressaiu no Enade.
Do meu humilde ponto de vista, a indignação fica aos médicos/professores da instituição. Parece que, ainda que tudo caminhe para o melhor – os indicadores de desempenho do curso, o número de instituições de ensino, as chances de ingresso no curso, a ampliação dos meios de manifestação do pensamento, o interesse dos alunos a uma boa formação acadêmica – aquela velha crítica ao ego dos médicos permanece, sem razão de ser. “Ecce medicus” (eis o médico, pois)...   como bem lembra Karl , autor do blog homônimo da frase latina que aborda de forma crítica a prática médica. No final de tudo, parece que aquela pequena vaidade dos médicos permanece. E como ainda se pode ler no blog, “eritis sicut dii” (sereis como deuses), a frase soa perfeita ao ego de alguns médicos.
Minha pergunta é: até quando essa vaidade se prolongará? Ela vale mesmo até como um “cala a boca” aos estudantes de medicina? 

terça-feira, 12 de julho de 2011

Pra divulgar...

Alunos denunciam falta de estrutura na UFMT

MEDICINA

Caroline Rodrigues / Da Redação

Alunos do curso de medicina da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) denunciam que a
carga horária não está sendo cumprida pela instituição. Eles reclamam ainda que houve a ampliação do número de vagas ofertadas, passando de 40 para 80. No entanto, os investimentos em laboratórios e instituições hospitalares para realização do estágio não foram realizados. Um documento, relacionando os
problemas, foi encaminhado para o  Ministério Público Federal (MPF).
O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed) foi chamado para intermediar as negociações, que segundo os acadêmicos chegou em um momento crítico. O presidente da entidade, Edinaldo Lemos, explica que os alunos estão em greve há 30 dias e até ontem não tiveram nenhum posicionamento da reitoria da UFMT. Conforme Lemos, será marcada uma reunião, ainda esta semana, com os responsáveis pelo departamento de Medicina para tentar uma solução.
O atual sistema de ensino foi aprovado com base em um projeto de expansão que nunca saiu do papel, argumentam os alunos. O plano garantia contratação de mais professores e técnicos de nível superior e médio, reforma e construção de salas de aula e construção de novo Hospital Universitário, que não tem sequer previsão para o começo das obras.
Outro lado - A UFMT foi procurada pela reportagem para falar sobre o assunto, mas não retornou as
ligações até o fechamento da edição.

Fonte: Gazeta Digital/MT - Judiciário/Ministério Público Federal em 07, de julho de 2011.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Neuróbica

O post de hoje é um pequeno incentivo a você, caro leitor, e a mim mesma. Estou iniciando a leitura de um livro, e parece que vai ser bastante agradável colocar em prática as atividades nele propostas. O livro chama-se "Mantenha o seu cérebro vivo". Promissor, não?
Aqui na contra capa pode-se ler "Você tem mais de 30 anos? Anda esquecido? Tem dificuldade para aprender coisas novas?" Bom, acho que nenhuma dessas questões se enquadra ao meu caso. É mais uma questão de curiosidade. Será que posso potencializar a capacidade de memorização e adquirir uma agilidade mental maior? Bom, é isso que pretendo descobrir ao ler este livro.
Dando mais amostras do que esta peça contém, no primeiro capítulo os autores tentam romper com nossas crenças populares: no cérebro humano novas células cerebrais são geradas e, mais impressionante, o declínio mental que a maioria das pessoas experimenta não é decorrente da morte constante de células nervosas, mas uma redução do número e complexidade das dendrites.
Como se sabe, as dendrites são ramificações das células nervosas que recebem informações através das sinapses, que são a grosso modo, conexões. Se essas conexões não estão bem ligadas, as dendrites podem se atrofiar, reduzindo a capacidade cerebral de incluir novas informações na memória e dificultando a recuperação de informações antigas. Assim, num indivíduo com a doença de Alzheimerm, em verdade, há ausência de um processo que seria comum nos demais: o desenvolvimento de dendrites mais longas no hipocampo humano em cujos nerurônios se encontrem envelhecendo¹.
Consegui convencer você a lê-lo? Bom... o meu agora vai comigo pra cima e pra baixo, rs.
__________________
¹ KATZ, Lawrence C. e RUBIN, Manning. Mantenha o seu cérebro vivo, 2000.

sábado, 26 de abril de 2008

Um Litro de Lágrimas

O post de hoje toca em vários assuntos.



O vídeo é do J-drama (Japanese Drama) intitulado Ichi rittoru no namida, fielmente: Um litro de lágrimas. E conta a história de Aya, uma menina que no auge de seus 15 anos, descobre ser portadora de uma doença incurável: degeneração espinocerebelar.
A doença em si traz uma série de inconvenientes. Por ser derivada de mutação genética, e portanto, passível de transmissão apenas pela hereditariedade, não causa risco a terceiros, mas é uma doença bastante triste. A pessoa aos poucos vai perdendo a coordenação, deixa de conseguir andar, escrever, falar e terá dificuldade até para engolir os alimentos. É progressiva, embora o avanço varie de pessoa para pessoa. No caso de Aya, os médicos disseram que a evolução estava acontecendo rápido demais.
Para mais informações, acesse: Degenerações espinocerebelares
Aya passa, obviamente por muitas dificuldades. Basquetista, tem de deixar o clube por não conseguir mais correr ou mesmo ter força pra lançar a bola; não consegue medir a distância dos objetos, enfim. Começa a perder o movimento das pernas, tendo de usar cadeira de rodas, o que faz que seus pais tenham que levá-la à escola, mesmo eles tendo de trabalhar logo cedo; atrasa o andamento das aulas, involuntariamente, claro, porque não consegue escrever no ritmo que o professor passa a matéria, fazendo com que os amigos esperem em respeito à sua condição.
Mas aos poucos, os colegas de classe começam a se sentir prejudicados, os pais, nas reuniões, também reclamam da situação, toda aquela coisa de falar mal pelas costas vai acontecendo.
Aqui, no vídeo, Aya chega bem no momento em que os colegas estão discutindo isso.
A questão é que Aya insistiu muito em continuar no colégio, ainda que os pais achassem melhor mudá-la para uma escola especial. Dizia Aya que, na presença diária de seus amigos, ela era capaz de sorrir, apesar da doença.
E no final das contas, Asou Haruto, que faz o discurso no vídeo, foi quem esteve com ela o tempo todo. Nunca reclamou de nada, e sempre aparentou frio, grosseiro (ele dizia que a morte era uma questão de balanço, equilíbrio: uns morrem para outros nascerem; dizia também que pouco importava se uma pessoa estava doente ou ia morrer, que as pessoas se esforçavam demais para continuar vivendo). No fim, ele foi o verdadeiro amigo de Aya. Isso faz pensar em uma série de questões. No meu caso, evidencia o fato de que amigos são importantes, sem dúvida, mas mais importante é a família, que não abandona a pessoa quando ela mais precisa.
E no vídeo acho que fica bem claro mesmo não a falsidade em si das pessoas, mas o egoísmo.
Vale lembrar que o J-Drama em questão foi baseado em uma história real, mais especificamente nos diários de Aya Kito (sim, o mesmo nome da menina na novela), que veio a falecer aos 25 anos.
A frase mais bela do drama, mais pro final da série, é quando Aya diz a Haruo, minutos antes de morrer: "Viva! Viva sempre!"

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Os Nomes dos Seres Vivos - Curiosidades

Afiado ainda nos estudos de biologia do ensino médio? Lembrado das aulas de classificação dos seres vivos, dos critérios de nomenclatura, da nomenclatura binomial dos seres vivos, da sistemática e da taxonomia?
Eu não. De verdade. Mas o estudo científico também pode ser divertido.
Quem nunca ouviu falar em Canis lupus? Tyrannosaurus rex?
Pois é, pode parecer bastante arbitrário nomear os seres vivos. Mas há toda uma série de normas que deve ser seguida. A maioria já deve conhecer, e eu, de cabeça, não me recordo de todas. Mas basicamente, seria:
1) O primeiro nome deve fornecer o gênero, sempre com letra maiúscula, e o segundo, todo em minúsculo, a espécie.
2) Ambos devem ser grafados em itálico ou sublinhados.
3) O nome deve ser em regra em latim (há nomes em grego antigo também), ou seja, língua morta, impassível de mudanças na semântica, atribuindo-se, consequentemente, caráter universal.
4) A unidade básica é a espécie, mas pode haver também uma terceira palavra, designando a subespécie
5) Como para espécies novas o nome pode ser batizado pelo seu nomeador, vindo do nome de pessoa, o segundo termo deve terminar com "i", mas pode indicar região de origem, etc.
Ok, eu disse que poderia ser divertido.
Há quatro instituições que cuidam dessa "patenteação" de nomes científicos: O Comitê Internacional de Taxonomia dos Vírus (International Committee on Taxonomy of VirusesICTV); A Associação Internacional de Taxonomia Botânica (International Association for Plant TaxonomyIAPT); O Comitê Internacional de Sistemática dos Procariotas (International Committee on Systematics of ProkaryotesICSP); E a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica (International Commission on Zoological NomenclatureICZN), ficando os fungos por conta do IAPT.
Geralmente, e de muito bom-senso, dá-se o nome em homenagem a celebridades científicas. Exemplo super conhecido é o do Trypanosoma cruzi (em homenagem a Oswaldo Cruz). Mas há aqueles que preferem celebridades artísticas. É tudo uma questão de gosto. Nessa dança, já entrou o nome de Harrison Ford para uma espécie de aranha (Calponia harrisonfordi), e de uma de formiga (Peidole harrisonfordi).
E não poderiam faltar os engraçadinhos: nome de um ácaro - Trombicula fujigmo, acrônimo de “fuck you Jack, I got my orders”.

De qualquer forma, há sempre uma pequena curiosidade por trás de tudo o que estudamos. Estudar pode ser cansativo. Mas, dispondo de um pouco de curiosidade e tempo, o maçante se torna interessante e estimulante.

Texto baseado nos escritos de Andrei Winograd - Já pensou nisso?